Francisco Calmon: Pandora retrógrada

Para os que almejam riqueza e fama, desprovidos de moral e ética, o caminho está aí, bastam uns anos de reclusão

Por bferreira

Rio - A caixa de pandora do conservadorismo foi aberta. Dela têm saído muitas pestes; institucionalmente, nem a ditadura chegou a tanto, apenas na prática. A situação está sob controle? MPF, PF e Judiciário estão no comando do lava que não lava tudo, mas sangra os direitos constitucionais, e colaboram na desestabilização, não apenas do governo, mas do Estado?

A economia alimenta oposições, à direita e à esquerda. A direita apresentará mais projetos conservadores, como os que o Cunha está desengavetando. A esquerda precisa apresentar os seus projetos de mudanças estruturais. Para isso, precisa de unidade.

A delação premiada está tornando o Brasil o centro de um ridículo internacional, visto que a delação passou a ser verdade absoluta, pelo menos para alguns meios de comunicação. Cabe-lhe outro nome, o de delação criminosa. O ativismo judicial colabora sobremaneira para essa visão externa do Brasil.

Quem governa hoje ou impede o governo de fazê-lo são os que se arvoraram a regentes: Gilmar Mendes, Sérgio Moro, Eduardo Cunha, e os delatores são seus operadores.

Os que não estão nesses extremos, se pensarem no futuro, concluirão que estão criando precedente perigoso, que pode virar modelo de oposição. É o velho ditado: o pau que dá em Chico dá em Francisco.

Se os cidadãos de bem, os próceres responsáveis da República, não se manifestarem com assertividade, denunciando a onda na qual vem sendo agredido o Estado Democrático de Direito, a desorganização que está ocorrendo pode chegar a limites insuportáveis.

Quem está no comando do enredo? Os operadores são os bandidos-delatores, cujos crimes perfeitos não os deixarão impunes, mas continuarão ricos — o suficiente para na prisão continuarem a corromper. Para os que almejam riqueza e fama, desprovidos de moral e ética, o caminho está traçado, o preço é apenas alguns anos de reclusão.

Até há pouco era consenso de que não havia ética na política; no presente o consenso é de que não há ética institucional. Na mitologia só a esperança ficou na caixa. Então, que tal encerrarmos os males do conservadorismo e mantermos a esperança de um Brasil soberano, livre, justo e solidário?

Francisco Calmon, Rede Brasil Memória, Verdade e Justiça

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