Passeata pede fim da violência contra homossexuais

Mais de mil manifestantes fazem ato bem-humorado e pacífico no Centro do Rio, criticando projeto de ‘cura gay’

Por O Dia

Rio - O Dia Mundial do Orgulho Gay foi comemorado nesta sexta-feira à tarde, no Rio, com uma passeata que reuniu mais de mil pessoas no Centro da cidade. Em clima de paz, manifestantes do movimento LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) usaram de ironia para reivindicar direitos e protestar contra o projeto da ‘cura gay’, que prevê tratamento psicológico para homossexuais.

“Errar é humano, insistir no erro é Feliciano”, dizia uma das faixas levadas por manifestantes. O deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP) é presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, que aprovou o projeto.

Passeata que saiu da Candelária e terminou na Cinelândia comemorou o Dia do Orgulho GayMarcos Cruz / Agência O Dia

Com tinta vermelha nas camisas, representando manchas de sangue, manifestantes se deitaram sobre uma imensa bandeira do Grupo Arco-Íris. Segundo Júlio Moreira, presidente do grupo Arco-Íris, só no ano passado foram registrados 338 assassinatos de homossexuais em todo o país. Segundo ele, este ano foram registrados no Estado do Rio 12 mortes violentas de homossexuais.

Presente na manifestação, Cláudio Nascimento, coordenador do Programa Rio Sem Homofobia, do governo do estado, defendeu a aprovação da lei anti-homofobia. “A violência contra gays atingiu um patamar altíssimo. O governo federal tem que criminalizar esta prática”, afirmou.

A passeata foi acompanhada de perto por centenas de policiais militares que, desta vez, não tiveram trabalho com atos de vandalismo. Manifestantes percorreram toda a extensão da Avenida Rio Branco e foram aplaudidos por pedestres. Na Cinelândia, eles fizeram novo protesto contra a violência, acendendo velas na escadaria da Câmara de Vereadores do Rio.

Arrastão

Uma manifestação pacífica de moradores na Ilha do Governador com menos de 100 pessoas acabou em tumulto. Lojas foram depredadas, quatro pessoas presas por furto e 11 detidas, segundo o 17º BPM.

Todos foram levados para a 37ª DP (Ilha). Há também suspeitos de fazer um arrastão próximo ao Shopping Ilha Plaza, que estava cercado por tapumes.

PM: ‘Não tive como retribuir’

O ato de carinho que uma manifestante protagonizou ao dar beijo no rosto de um PM num protesto, fotografado pela Folhapress e reproduzido na capa do DIA desta sexta, tirou do anonimato o soldado Thiago Souza, 28 anos, e mudou a rotina dele. “Fui pego de surpresa. Estava segurando o escudo e não tive como retribuir”, explicou ele, que é solteiro.

Soldado Thiago Souza%2C do 17º BPM%2C recebeu ligações de parentes e amigos%2C após ganhar beijo na manifestaçãoJoão Laet / Agência O Dia

“Foi a primeira vez que vivi, como policial, um ato como aquele. Fiquei tímido na hora”. Ele estava de prontidão havia quatro horas diante da Alerj. A jovem, identificada por amigos como Patrícia de Almeida Vasconcelos, não foi localizada para comentar.

São Paulo: Dutra é fechada por quase quatro horas

Em São Paulo, cerca de 500 manifestantes interditaram ontem os dois sentidos da Rodovia Presidente Dutra, próximo ao km 222, em Guarulhos, causando grande congestionamento. Segundo a Polícia Rodoviária Federal, o bloqueio começou às 17h30. A pista só foi liberada às 21h20, após a chegada de policiais de outras forças de segurança.

Também houve manifestação no Centro de Guarulhos, onde ocorreram atos de vandalismo. Um carro foi apedrejado na Avenida Monteiro Lobato. O motorista tentou atravessar uma barreira montada por manifestantes e foi interceptado a pedradas. Ônibus foram pichados, e uma agência bancária, depredada.

Manifestantes fecharam as duas pistas da Rodovia Presidente Dutra%2C na altura de Guarulhos%3A congestionamentoDaniel Teixeira / Agência O Dia

O fotógrafo Beto Martins, da agência Futura Press, ficou ferido ao ser atingido por um tiro de bala de borracha.

Em Guarujá, no litoral paulista, manifestantes bloquearam a Avenida Santos Dumont, que dá acesso aos terminais do porto de Santos. Eles reivindicaram mais asfalto, saneamento básico e segurança. Já na capital paulista, profissionais de saúde fizeram manifestação, mas não houve tumulto.

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