Polícia Civil realiza nova operação na comunidade de Rio das Pedras

Objetivo é reprimir vans ilegais e outros crimes. Situação é tranquila na manhã desta terça-feira

Por O Dia

Rio - Policiais da 32ª DP (Taquara) e diversas especializadas realizam nova operação na manhã desta terça-feira em Rio das Pedras, na Zona Oeste. A ação visa reprimir o transporte de vans ilegais, que seriam controladas por milicianos. Os criminosos também são apontados e investigados como responsáveis pelos protestos ocorridos desde a última sexta-feira, que causou enormes transtornos na região.

Civil realiza pelo segundo dia consecutivo operação em Rio das PedrasAlexandre Vieira / Agência O Dia

Participam da operação policiais das Delegacias de Roubos e Furtos de Automóveis (DRFA), de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD), do Consumidor (DECON), de Roubos e Furtos (DRF), de Proteção ao Meio-Ambiente (DPMA), e a Polinter. A ação também tem o apoio de agentes da Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE).

Hoje, a situação é aparentemente tranquila em Rio das Pedras. Vans com autorização da Prefeitura e ônibus rodavam normalmente no bairro.

Prefeitura acusa milícia por guerra de vans

?Barricadas de fogo em lixo, pneus e madeiras impediram nesta segunda-feira a circulação de veículos em Rio das Pedras, fazendo com que moradores andassem mais de três quilômetros para pegar ônibus. O protesto foi contra a nova regulamentação de vans na Zona Oeste, posta em prática desde sábado pela prefeitura, que atribuiu a ação violenta a milicianos. Mais tarde, grupo de 30 topiqueiros invadiu o prédio da Secretaria de Transportes, em Botafogo, e foi recebido pelo coordenador especial de Transporte Complementar, Cláudio Ferraz. Ele prometeu analisar plano de rotas alternativas que será apresentado amanhã pelos manifestantes.

Motoristas e auxiliares que se dizem prejudicados com o novo sistema — que reduz a circulação de 1.700 veículos para 392 licitados — fizeram vários protestos desde sexta-feira. O mais violento começou às 5h, em Rio das Pedras, em Jacarepaguá, onde o fogo interrompeu a entrada de ônibus e de novas vans na Avenida Engenheiro Souza Filho, a principal.

Também em Rio das Pedras, onde dezenas de linhas funcionavam e só uma tornou-se legalizada, vândalos tentaram incendiar dois ônibus, mas os motoristas conseguiram escapar. “Os atos criminosos são incentivados por grupos que pretendem defender seus interesses milionários com transportes irregulares. Os motoristas das vans são trabalhadores. Mas por trás deles têm pessoas que historicamente vivem extorquindo moradores (referindo-se a milicianos). Isso consta em investigações antigas da Polícia Civil e do Ministério Público”, disse o delegado Cláudio Ferraz.

O Sistema de Transporte Público Local (STPL), que substitui o Transporte Especial Complementar (TEC), será totalmente implementado em cinco semanas, abrangendo 18 linhas. Na região, foi proibida a circulação de vans e Kombis nas avenidas das Américas, Ayrton Senna, Armando Lombardi e Ministro Ivan Lins, na Barra. A intenção da prefeitura é que, a cada final de semana, uma localidade tenha o transporte alternativo regulamentado. A primeira foi a Zona Sul. Toquipeiros protestaram, mas não conseguiram reverter a decisão.

R$ 20 por viagem de mototáxi

Impedidos de circular no interior da favela de Rio das Pedras, os ônibus retornavam pelas estradas de Jacarepaguá e do Itanhangá. Com a falta de ônibus e vans, mototaxistas chegaram a cobrar R$ 20 por uma corrida até o Quebra-Mar da Barra.

“Absurdo. Cadê a polícia?”, desabafou a doméstica Maria dos Santos, 55. Às 11h, 60 policiais civis, de várias delegacias especializadas, desembarcaram em Rio das Pedras. A PM reforçou o efetivo, e os ônibus voltaram a trafegar na comunidade. A prefeitura alegou que o cálculo das linhas e da quantidade de vans é feito com base em estudos técnicos.

Protestos começaram na noite de sexta%2C quando manifestantes atearam fogo na entrada da comunidadeAlexandre Brum / Agência O Dia

‘Só reivindicamos o direito de continuar trabalhando’

Manifestantes que invadiram a sede da Secretaria Municipal de Transportes, obrigando reforço policial no local, disseram não pertencer a qualquer sindicato, e que apenas estão defendendo o emprego de 12 mil motoristas, auxiliares e cobradores, além do interesse de cerca de 220mil passageiros que dependem do transporte alternativo diariamente na Zona Oeste.

“Não somos milicianos. Somos trabalhadores honestos, cadastrados pela prefeitura, que pagamos nossos impostos e só reivindicamos o direito de continuar trabalhando”, argumentou Ricardo Pirajá, o Pantera, um dos representantes da categoria. Segundo ele, os motoristas planejam ir em carreata até Brasília. “Se o prefeito ignorar nossa situação, vamos denunciar essa covardia ao Supremo Tribunal Federal”, adiantou Pirajá.

“É um desrespeito conosco. Ninguém se entende e a gente fica a pé”, queixou-se o pedreiro José de Almeida, 48. “As novas vans são mais confortáveis”, defendeu a cozinheira Marília Silva, 40.
A prefeitura abriu processo de licitação, na modalidade concorrência pública, para 671 vagas. Além dos permissionários, auxiliares também podem concorrer às vagas. Ao todo, serão licitadas 46 linhas para atender as zonas Norte e Oeste. A previsão de conclusão do processo licitatório é de 90 dias.

Paramilitares lucram até R$ 44 milhões

Rio das Pedras é a segunda maior cooperativa de vans do Rio — só é superada pela Rio da Prata. Até 2012, possuía 16 linhas regulares e quase 900 kombis circulando entre Jacarepaguá, Barra e a Zona Sul. Seu faturamento era de R$ 44 milhões por ano. Com números tão expressivos, tornou-se o carro-chefe da milícia de Jacarepaguá.

Assassinatos, extorsões e corrupção estão no retrovisor da máfia das vans. Em Rio das Pedras, as mortes de Getúlio Rodrigues Gamas e do ex-vereador Nadinho ilustram este pedaço da cidade, onde milicianos mataram adversários e motoristas que não pagavam “taxa de serviço” a policiais e ex-policiais ‘donos das linhas’. Valores cobrados até hoje: de R$ 200 até R$ 500.

Motoristas de vans fizeram protesto na sede da Secretaria de TransportesAlexandre Brum / Agência O Dia

Máfia teria irmãos chefões

Em Rio das Pedras, os irmãos Dalmir e Dalcemir Pereira Barbosa, condenados por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro, são os responsáveis por comandar a chamada “máfia das vans”. Mas quem fica à frente são os policiais Marcus Vinicius Reis dos Santos, o Fininho, e o subtenente da PM Maurício da Silva Costa, o Maurição, também condenado, mas que continua na ativa na Polícia Militar.

Em nota, a Polícia Civil informou que a 32ª DP (Taquara) abriu inquéritos para apurar crimes de atentado contra a segurança de outro meio de transporte (Art. 262 do Código Penal), e incêndio.

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