'Fiz de tudo para salvá-lo', diz motorista que levou fotógrafo até o INC

Luiz Cláudio Marigo teve infarte e morreu na porta do Instituto Nacional de Cardiologia, mesmo após o pedido de socorro

Por adriano.araujo

Rio - O motorista Amarildo Gomes e o cobrador Reinaldo do Santos voltaram a prestar depoimento para o delegado da 9ª DP (Catete) para dar mais detalhes do que aconteceu durante o socorro do fotógrafo Luiz Cláudio Marigo, que morreu dentro do ônibus mesmo após pedido de socorro no Instituto Nacional de Cardiologia (INC), em Laranjeiras.

Após os passageiros gritarem que Marigo estava passando mal, Amarildo Gomes parou com o ônibus em frente ao INC e passageiros pediram socorro no local, o que foi negado. "Fiz de para salvar a vida dele", disse o motorista. Já o cobrador se mostrou indignado com a situação acontecer em um hospital de referência. "É um absurdo isso acontecer num hospital federal. É muito triste."

Motorista e cobrador que levaram fotógrafo até o INCEstefan Radovicz / Agência O Dia

De acordo com o delegado Roberto Gomes Nunes, os dois foram convocados novamente para dar mais detalhes do que aconteceu durante o socorro, como quantas pessoas se envolveram no socorro, quem se omitiu na unidade de saúde, o horário, entre outras informações que podem ajudar no caso. Além deles, o vigilante e mais dois passageiros já prestaram depoimento e outras pessoas envolvidas no caso serão convocadas.   

A investigação busca desvendar até que ponto houve omissão ou descaso por parte do hospital e, se for o caso, indiciar os envolvidos por homicídio doloso, culposo ou omissão de socorro. Também não é descartada a hipótese de falso testemunho.

Hospital do coração tinha 35 profissionais de serviço

A crônica do descaso. Os momentos de agonia vividos segunda-feira pelo fotógrafo Luiz Cláudio Marigo à espera de atendimento na porta do Instituto Nacional de Cardiologia, em Laranjeiras, teve o acompanhamento indireto de 35 profissionais da Saúde. Dentro do hospital, estavam de plantão naquele dia nas enfermarias, unidades de tratamento intensivo e nos ambulatórios pelo menos 13 médicos e 22 enfermeiros e auxiliares de enfermagem — pessoas habilitadas a prestar os primeiros socorros.

Luiz Cláudio Marigo%2C de 63 anos%2C era fotógrafo especializado em natureza. Ele morreu na segunda-feira após sofrer um infarto e não ser socorrido no INC%2C em LaranjeirasReprodução Facebook

Um dos principais centros de referência de Cardiologia no país, o hospital de Laranjeiras tem dois médicos de plantão em cada um dos quatro CTIs. Outros cinco estavam de serviço nos ambulatórios. Ninguém socorreu o fotógrafo. Ele morreu sem que os apelos de moradores convencessem a triagem de pacientes na unidade sobre a necessidade do socorro.

Os dados sobre os médicos e profissionais de plantão no Instituto de Cardiologia na segunda-feira foram pedidos pelos agentes da 9ª DP (Catete), que ontem também analisaram as imagens de prédios vizinhos ao hospital — localizado na Rua das Laranjeiras. Os policiais querem provas sobre o tempo de espera e a insistência dos moradores em pedir atendimento ao fotógrafo.

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