Há pessoas com carteira assinada entre ex-ocupantes de prédio no Flamengo

Mesmo com trabalho garantido, 'casa' de alguns desabrigados nada mais é do que um colchão e um sofá na Cinelândia

Por O Dia

Rio - Todos os dias pela manhã o assistente de serviços gerais Júnior Dias, de 26 anos, se despede da mulher, Stefani Bernardes, 24, no Centro do Rio, e vai para o trabalho, na Zona Portuária, no barracão da Escola de Samba Alegria da Zona Sul. A cena seria comum se a ‘casa’ deles não fosse um colchão e um sofá na Cinelândia, onde estão vivendo com outros ex-ocupantes do Edifício Hilton Santos, no Flamengo, que está alugado para uma das empresas de Eike Batista.

Como ele, há costureiras, cuidadoras, cozinheiras, manicures. “Somos trabalhadores, reivindicamos o direito a uma casa”, disse o assistente de serviços gerais, que diz trabalhar na escola de samba há oito anos.

Junior%2C que está vivendo na Cinelândia%2C diz trabalhar na Zona PortuáriaDaniel Castelo Branco / Agência O Dia

Faz coro com ele a cozinheira Deise Santos, de 50 anos. “Não tem vagabundo aqui, como às vezes nos tratam. Somos pais e mães de família”, reclama. A conta, acrescenta Dias, é simples: “Com um salário mínimo ou você paga um aluguel de R$ 400 ou R$ 500 numa comunidade ou dá o que comer aos seus filhos.” Ele tem cinco.

Nesta quinta-feira, quando O DIA esteve no local, caía uma chuva fina e a temperatura estava em 23 graus. As cerca de 30 pessoas no local, entre elas mulheres e crianças, reclamavam que momentos antes foram expulsos da marquise onde fica um templo da Igreja Universal. Agentes da Guarda Municipal, no local, confirmaram a informação. Procurada, a igreja afirmou que “a marquise serve de abrigo provisório para quem entra e sai de uma edificação, devendo, por lei, estar sempre desobstruída”.

Segundo relataram, muitos deixaram a ocupação ontem para celebrar São Jorge. “Só ele para dar força, porque as minhas estão acabando”, desabafou a cuidadora Nete Martins, de 50.

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