Paes nega que atleta coreano tenha passado mal por conta da água da Baía

Prefeito participou nesta segunda-feira de um evento com empresários na Associação Comercial de São Paulo

Por O Dia

São Paulo - O prefeito Eduardo Paes esteve nesta segunda-feira na Associação Comercial de São Paulo. Durante o evento, ele foi questionado sobre a polêmica a Baía de Guanabara, que vem sendo bastante criticada pelos atletas que disputarão as Olimpíadas do próximo ano. Ele citou o velejador sul-coreano Wonwoo Cho, que passou mal durante um evento-teste na cidade na semana passada.

"Participaram cerca de 500 atletas. Só ele passou mal. Foi algo que ele comeu, mas seu técnico preferiu culpar as águas da Baía", disse o prefeito.

Um dos pontos críticos da Baía de Guanabara é a Enseada de Botafogo%2C onde desemboca rio com a poluição de ligações clandestinas de esgotoMário Moscatelli / Divulgação

O coreano, que compete pela classe RSX, foi internado com quadro de desidratação, vômito, dores de cabeça e tontura por 24 horas no Hospital Samaritano, em Botafogo. Na ocasião, seu treinador, Danny Ok, disse que o problema deveria ter sido a Baía de Guanabara. "Provavelmente, foi a água. Especialmente na baía (o cheiro), é terrível. Não consigo imaginar como eles competem neste lugar", completou.

Ao comentar os eventos-teste de esportes aquáticos no último final de semana, Paes disse que foram um sucesso e mostraram que não há problemas para a realização das Olimpíadas. “O teste de vela não deu problema, assim como a maratona aquática. Todos estão cobrando saneamento, mas para as olimpíadas não há problema”, disse o prefeito.

Para Paes, embora a questão do saneamento seja um desafio na cidade, ela está superada para os esportes que vão ocorrer no mar. “Tivemos quase um mês de eventos-teste utilizando a água do mar e da Baía de Guanabara e não vimos problemas nenhum, ao contrário, as coisas aconteceram de forma muito adequada. Mas o desafio de saneamento no Rio continua”.

Flagrante de esgoto lançado na Praia de Botafogo pelo ambientalista Mário Moscatelli%3A “Piorou muito em 24 horas. Um absurdo”Mário Moscatelli / Divulgação

'Obras não seriam feitas se não fossem as Olimpíadas'

No encontro com os empresários, Paes explicou que o orçamento olímpico foi R$ 38,67 bilhões, dos quais 57% foram investimentos privados. “Isso deixará um legado olímpico de R$ 24,6 bilhões. O orçamento do comitê organizador foi R$ 7 bilhões. Ou seja, a grande maioria [do investimento é] privado”, disse.

O prefeito do Rio reforçou que o investimento nas arenas foi R$ 6,67 bilhões, com 64% de participação privada, o que corresponde a R$ 4,23 bilhões. “Essas obras não seriam feitas se não fosse pelas olimpíadas. Esse é um ativo que precisamos mostrar. Mostrar que existe outro Brasil além daquele país lento que não funciona e não entrega as coisas no prazo. Que temos o prazo do setor privado, setor no qual apostamos para fazer essas obras”.

Paes lembrou que para despertar interesse do setor privado foi preciso garantir retorno aos investidores. “O parque olímpico era obrigação do governo federal, mas vi que ia ficar parecido com a Copa e resolvi lançar a PPP (parceria público-privada). Conseguimos viabilizar liberando ganho para o poder privado com o poder público dando seus limites”.

Segundo o prefeito, havia previsão para executar 17 projetos legado, mas a prefeitura entregará 27 projetos. “Todos que passarem pelo Centro do Rio, onde há obras, saberão que não há um tostão do imposto da população carioca investido ali. E o que faz com que as Olimpíadas do Rio estejam no prazo é o fato de que não há tanto dinheiro da União envolvido. É uma oportunidade de o Brasil mostrar que podemos fazer as coisas, que temos engenharia e setor privado capaz de entregar as coisas no prazo”.

Paes também comentou alterações no trânsito da cidade durante a realização dos Jogos e ressaltou que, a princípio, o sistema não será instituído. “O que fizemos foi aprovar uma legislação na Câmara dos Vereadores que dá poder ao Executivo para, na eventualidade da necessidade, fazer o rodízio. Temos adotado uma série de medidas de contingência porque é um evento de grandes dimensões. Nosso esforço é para que isso não aconteça”.

Com informações da Agência Brasil

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