Nas pontas dos pés, a esperança de dar saltos importantes pelo mundo

Academia de Caxias dá bolsas de estudo para novos talentos

Por O Dia

Nas pontas das pés, a técnica para saltos e giros; na cabeça, a determinação para conquistar palcos pelo mundo. A cada ensaio, os alunos da Escola de Dança Adriana Miranda, em Duque de Caxias, sonham dar passos largos na carreira que, geralmente, começa quando são pequenos.

A dupla Emilly Lima, de 14 anos, e Clezio Marcos de Souza, de 19 anos, é um exemplo. Destaques em festivais, foram aprovados este ano para a Escola Estadual de Danças Maria Olenewa, da Fundação Theatro Municipal do Rio de Janeiro, a mais importante do país. “Danço desde os 5 anos e a cada dia busco melhorar. Não me vejo fazendo outra coisa”, diz Emilly.

Fundada em 2006 pela bailarina e coreógrafa Adriana Miranda, a escola vem se tornando referência na Baixada Fluminense, principalmente pelo trabalho social. ‘O Balé no Samba’ é um dos projetos pioneiros da instituição. Em parceria com a Pimpolhos da Grande Rio, meninos e meninas recebem bolsas integrais para comporem as alas coreografadas da escola durante os desfiles na Sapucaí.

Orgulha, Adriana diz que a escola mudou a vida de várias crianças da escola de samba. “Elas ganharam formação e profissão”.

Há oito anos, Adriana Miranda dá oportunidade para quem sonha em ser bailarina e não pode pagar Daniel Castelo Branco / Agência O Dia

Alunos que deram os primeiros passos na academia, hoje estão na escola do Balé Bolshoi, em Santa Catarina, cursando faculdades de dança e em cursos de aperfeiçoamento oferecidos pelo Sindicato dos Profissionais de Dança do Rio.

Em 2008, o projeto ‘Homens que Dançam’ começou a oferecer bolsas integrais para revelar talentos masculinos. Adriana explica que resolveu incentivar os meninos porque há carência de bailarinos na Baixada. “Sabendo que há preconceito, falta de apoio na família e de condição financeira, resolvi dar oportunidade aos jovens, que encontram aqui disciplina e aprendizado para sua formação cidadã”, afirma Adriana.

Raphael Marchene, 19, é um dos alunos do projeto. Ele começou há quatro anos e vem se destacando no jazz e na dança moderna. Hoje, faz o curso de aperfeiçoamento profissional no sindicato. “No começo, sofri preconceito, mas, a partir do momento que comecei a mostrar minha arte, isso virou coisa do passado. Recebi muito apoio da família e isso me fez vencer”, conta Raphael.

Festival de dança gratuito em Caxias

Do dia 12 a 14 de setembro, a Escola de Dança Adriana Miranda promove a sexta edição do Dançar Caxias Shopping, na praça de eventos, das 18h às 21h, com entrada franca. O evento vai contar com a participação de 15 grupos e cerca de 50 bailarinos, que vão apresentar 75 coreografias.

Os grupos se inscreveram gratuitamente e vem de vários lugares do Rio e da Baixada entre eles Movimenthus Cia de Dança (Pavuna), Baletto Escola de Dança (Méier) e Escola Municipal de Dança Anna Pavlova (Nilópolis).

Projeto ‘Homens que Dançam’ dá oportunidade a bailarinos que não têm como pagar aulas de balé clássicoDaniel Castelo Branco / Agência O Dia

Este ano, os alunos da Escola de Dança Adriana Miranda já conquistaram mais de 50 troféus em eventos. O grupo de dança da escola vem se destacando nos principais festivais que realizados no estado. Os mais recentes foram em Petrópolis, Rio das Ostras, Três Rios, Porto Real e Nova Friburgo.

Bruna Alice da Silva, 17, moradora de Vila São Luís, em Caxias, vai se formar em dezembro como bailarina clássica. “Fiz o exame da Royal em 2013 e obtive a nota máxima. Já ganhei prêmios em vários festivais”, comemora.

Alunos fazem testes para companhias internacionais

Com 120 alunos (particular e projetos sociais), as turmas são divididas por faixa etária e nível técnico. De acordo com o desempenho de cada um, a escola indica cursos e trabalhos fora da instituição. Desde o ano passado, em parceria, a escola oferece a possibilidade de avaliação na Royal Academy of Dance, uma das maiores organizações de exames e treinamento de balé clássico do mundo.

Cíntia Lessa (D) melhorou as notas na escola após as aulas de balé Daniel Castelo Branco / Agência O Dia

A unidade de Caxias conta com oito professores, que se dividem em aulas teóricas e práticas de segunda a sexta-feira. As modalidades oferecidas são balé clássico, jazz, dança moderna, dança do ventre e hip-hop. Podem participar crianças a partir dos 3 anos.

Durante o ano, são feitas quatro avaliações, que contam com uma banca que analisa o comportamento, assiduidade e participação nas mostras e festivais internos. Os responsáveis pelas crianças aprovam o resultado.

A dona de casa Françoise Duarte, de 37 anos, mãe da aluna Cíntia Rafaela Lessa, de 10 anos conta que a filha ficou mais disciplinada em casa, além de melhorar a postura. “Os resultados também se refletem nas notas escolares”, disse.

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