Wilson Diniz: Levy no jogo do PT

A entrada do economista no jogo retorna o ambiente favorável de governabilidade, preparando alicerces para viabilizar a manutenção do poder do PT se Lula entrar na disputa em 2018

Por O Dia

Rio - Apesar da sensibilidade e do conhecimento da arte de fazer política, Lula não deve ter lido um único livro de filosofia e da história dos grandes estadistas e pensadores que marcaram a humanidade. Mas é personagem raro de percepção estratégica intuitiva em montar peças de xadrez para manutenção do poder a partir das eleições presidenciais de 2018.

Ao clonar Dilma Rousseff, Lula não esperava que sua ‘ovelha política’ se rebelasse como a principal inconfidente dentro das bases do poder, levando o partido a se fragmentar na luta para indicar o sucessor. Alijado do núcleo nas decisões presidenciais de um governo que se desmorona e cai em desgraça com a série de escândalos de corrupção e sem articulação política, Lula entra em cena para salvar o projeto de manutenção de poder ao colocar o economista neoliberal Joaquim Levy, de pensamento ortodoxo da Escola de Chicago, para arrumar as contas do governo — maquiadas com truques contábeis que viabilizaram a vitória de Dilma em 2014.

A arquitetura estratégica idealizada pelo ex-presidente trouxe de volta os eixos principais de seu primeiro mandato colocando no governo, para corrigir os rumos da economia, a cartilha de governabilidade e de reforma econômica do PSDB. Naquela época foram mantidas as metas de superávit primário e da taxa de inflação, com Henrique Meirelles, vindo do berço tucano como representante do mercado financeiro, no comando do Banco Central.

Para salvar os desmandos das contas públicas e de estabilidade de mercado, Lula fechou com o mercado financeiro, através da cúpula dos dois maiores bancos privados do país, pacote de linhas econômicas de coalizão entre o radicalismo intervencionista da presidenta e de regras claras de mercado, via política monetária do Banco Central e fiscal da Fazenda.

O pacote de Levy sinaliza corte de R$ 66 bilhões: fim do subsídio nas tarifas do setor elétrico; limites mais longos para concessão do seguro-desemprego; retomada do aumento da Selic; mais impostos; elevação da taxa de juros ao consumidor dos bancos públicos; mudanças de critério nas linhas de financiamentos do BNDES, corte vertical de R$ 7 bilhões da Educação. Eis um conjunto de medidas que, se não for atropelado pela presidenta, fará o país retomar os rumos da estabilidade monetária e de responsabilidade fiscal em dois anos.

A entrada de Levy no jogo retorna o ambiente favorável de governabilidade, preparando alicerces para viabilizar a manutenção do poder do PT se Lula entrar na disputa em 2018; caso contrário, Dilma não tem poder para fazer o sucessor. A conferir.


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