Editorial: Quem são os inimigos da democracia

Hoje deve-se observar pelo país tradição tão antiga quanto a Páscoa: a malhação de Judas, que são muitos no Brasil

Por O Dia

Rio - Hoje deve-se observar pelo país tradição tão antiga quanto a Páscoa: a malhação de Judas. A cada ano, no Sábado de Aleluia, elegem-se personagens da República que, no julgamento popular — e com um pouco de galhofa —, merecem uma surra que inclui pauladas, pontapés e até mesmo o fogo.

Hoje, muitos são os ‘Judas’ no Brasil. Boa parte deles merecedora da ‘homenagem’ de erguer o boneco alusivo nos postes e derrubá-los num linchamento, como numa catarse livradora dos pecados da nação. Mas, como este espaço vem ponderando nas últimas semanas, o ódio e a intolerância vem guiando discursos e ações.

Não é exagero afirmar que a atitude de muitos brasileiros acabará por malhar — no sentido literal ou bíblico — não políticos corruptos ou governantes impopulares, mas a própria democracia. Ao defender com virulência o silêncio do discordante, proibindo-o até de usar dada cor, caminha-se a passos largos para o totalitarismo. E a democracia pode não ressuscitar se a exceção explodir.

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