Roberto Muylaert: Reagir já contra Trump

A exigência de construir um muro na própria fronteira e pagar por ele não deve ter paralelo nas relações entre nações em paz

Por O Dia

Rio - O que transparece nas atitudes de Trump é um ódio visceral e profundo perpassando decisões e falas. No caso do México, trata-se de um preconceito absurdo contra latinos, entre os quais nos alinhamos, mesmo sem ser “hispânicos”, como os norte-americanos gostam de nos classificar. Somos ibero-americanos.

O tipo de Trump, corpulento, flácido, pele opaca, olhos azuis desbotados, cabelo amarelo, suado, ignorante, é a mesma figura daqueles policiais dos estados sulistas que espancam, estrangulam e atiram em negros indefesos, que têm contra si a grave acusação de serem negros.

A humilhação que Trump impingiu ao presidente mexicano é inédita nas relações entre nações em tempos de paz. A exigência de construir um muro na própria fronteira e pagar por ele não deve ter paralelo nas relações entre nações em paz.

A história recente nos lembra de uma humilhação parecida imposta por Hitler ao premier austríaco Von Schuschnigg, pouco antes de invadir o vizinho nas barbas da Segunda Guerra Mundial, como Trump já ameaçou fazer com o México.

Foi a chamada Anschluss, em que o chanceler austríaco se encontrou com Hitler em seu refúgio alpino. Após espera de duas horas, foi desacatado pelo Führer, que o chamava pelo nome e não pelo título, como manda o protocolo diplomático.

Ouviu os maiores desaforos do alemão, em altos brados. Em seguida, Hitler mandou um grupo de soldados hastear a bandeira nazista em Viena, no lugar da austríaca. Só depois veio a invasão da Áustria pelas tropas alemãs.

Trump está tratando os mexicanos como um subpovo, em contraste com a primeira-ministra inglesa. que recebeu com fidalguia insuspeitada até então. Deu-lhe a mão para subir a escada e deixou que ela entrasse na sua frente na Casa Branca, o que não fez com a mulher, Melania, na cerimônia de posse.

Fácil de entender: Theresa May é inglesa, “Wasp” (branca, anglo-saxã e protestante), e por isso merece todo o respeito. Uma lição que pode ser extraída das atitudes de Hitler é que seu desrespeito pelas “raças inferiores” ia sempre num crescendo, não adiantando tentar políticas de apaziguamento com ele.

Eis o modelo que Trump parece estar seguindo, como fez com um jornalista latino que ofendeu e expulsou de uma entrevista coletiva. A ordem é reagir já.

Roberto Muylaert é editor e jornalista

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