Vizinha do palco dos Jogos, Tijuca sofre alta da violência

Moradores reclamam de aumento dos roubos nas ruas

Por O Dia

Rio - "Meu filho acabou de chegar da escola sem mochila! Foi assaltado e ameaçado de levar uma facada no peito caso gritasse! Em plena Praça Afonso Pena, lugar movimentado no meio do dia.” O desabafo foi postado por uma mãe, que pediu para não ser identificada, na página ‘Alerta Tijucano’, na quinta-feira. Um dia depois, outra seguidora, escreveu: “Escuto tiros exatamente agora, não bastou ontem? Parece que vem do Morro da Formiga. Já tem mais de 5 minutos ininterruptos de tiros.”

A sensação de insegurança no bairro da Zona Norte é corroborada por dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), referente à 6ª AISP, divisão territorial que engloba o policiamento no bairro. Comparando-se o primeiro trimestre deste ano com o de 2015 houve o aumento de 44% em tentativas de homicídios (26 casos a mais); 105% nos roubos de veículos (71 casos a mais); e 64% (36 a mais) nos roubos de celulares.

Carros que estavam estacionados em cinco ruas foram queimados e suspeito acabou preso na sexta-feiraSeverino Silva / Agência O Dia

O bairro é limítrofe com o estádio do Maracanã, palco da abertura e encerramento dos Jogos Olímpicos. Em e-mail enviado ao CICC (Centro Integrado de Comando e Controle), no dia 1º de julho, ao qual O DIA teve acesso, Fred Hanson, produtor responsável pelas cerimônias, relatava uma série de assaltos a sua equipe nos arredores do estádio. “Infelizmente aconteceu mais um assalto de alguém da nossa equipe hoje de manhã saindo da estação do metrô, descendo a rampa. Dois moleques de bicicleta arrancou (sic) a bolsa dela, que machucou o pescoço”, relatou o americano.

Apesar de um cinturão de Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), formado pelas unidades dos morros do Salgueiro, Andaraí, Formiga e Morro do Borel, crimes violentos têm marcado a região. Em março, a adolescente Ana Beatriz Andrade, 14 anos, foi torturada e morta dentro de casa, no Morro dos Macacos.

Mais viaturas para resgatar a sensação de segurança

Na segunda-feira passada, dia 18, dez veículos que estavam estacionados em ruas da Tijuca foram incendiados. Um suspeito dos ataques foi preso na última sexta-feira. O flanelinha Daniel Felipe dos Santos da Cruz, 34 anos, foi preso acusado de atear fogo nos carros. Na investigação, agentes descobriram que homens chegaram a oferecer segurança privada a moradores, o que fez a polícia desconfiar da atuação de milicianos. Segundo o tenente-coronel Marcos Vinícius Mello, comandante do 6º BPM (Tijuca), a região conta agora com 28 viaturas e quatro motocicletas à noite. “Queremos resgatar a sensação de segurança”, diz.

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