TSE abre a 'caixa-preta' dos bens dos candidatos à Prefeitura do Rio

Freixo declara R$ 5 mil; estreante do Partido Novo admite R$ 2,1 milhões, e quase todos empobreceram

Por O Dia

Rio - O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) disponibilizou as declarações de bens dos candidatos à Prefeitura do Rio, e a aparente desigualdade patrimonial entre os postulantes à cadeira de Eduardo Paes é de estarrecer. Enquanto a estreante em eleições Carmen Migueles, do Partido Novo, possui bens que ultrapassam os R$ 2,1 milhões, o veterano Marcelo Freixo (Psol), parlamentar desde 2007, tem apenas R$5 mil, depositados em conta corrente. Incrível diferença de 42 mil por cento.

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Outro fato que chama a atenção é o ‘empobrecimento’ dos políticos. O deputado federal Alessandro Molon (Rede) é o único entre os candidatos à prefeitura que teve evolução de patrimônio entre 2014 (ano da última eleição) e 2016. Saltou dos R$ 26 mil para R$ 1,7 milhão, sendo que a maior parte dos seus bens é de imóveis herdados.

Marcelo Freixo (Psol) declarou R$ 5 milBanco de imagens

Se os candidatos administrarem as finanças da prefeitura como gerenciam seus próprios patrimônios, a população tem motivos para preocupação. Flávio Bolsonaro (PSC) tinha R$ 714 mil em 2014. Dois anos depois, seu patrimônio caiu para R$ 180 mil. Jandira Feghali (PCdoB) também ficou mais pobre no período. A candidata tinha R$ 762 mil e, agora, declarou ter R$ 550 mil. O candidato do PMDB, Pedro Paulo, é outro que apresentou significativa queda patrimonial, de R$ 553 mil para R$ 483 mil. Somados, os nove candidatos que tiveram os bens divulgados (Indio da Costa, PSD, não consta na lista do TSE) têm patrimônio estimado em R$ 6,9 milhões. “É difícil crer que políticos com vários mandatos tenham patrimônio relativamente pequeno”, analisa o cientista político Gláucio Soares, da Uerj. Vale ressaltar que o TSE não exige a atualização de valores, como dos imóveis.

Falidos ou não, os candidatos deram a largada na campanha eleitoral. Ontem, três deles (Freixo, Jandira e Crivella) começaram a pedir votos aos moradores de Campo Grande, na Zona Oeste. Outros três investiram na Zona Sul. Molon preferiu o bairro de Botafogo, enquanto Carlos Osorio, do PSDB, e Indio escolheram a Rocinha como ponto de partida.

A campanha deste ano é mais curta. Os candidatos a prefeito e vereador têm apenas 45 dias para conquistar o eleitorado, contra 90 dias dos pleitos anteriores. As propagandas veiculadas em rádios e TVs começam dia 26.

Colaborou o estagiário Caio Sartori

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