Menino morto em briga de trânsito é enterrado sob comoção

Ao final, os pais de Bryan, Flavia Mercês e Christian Lopes da Cruz fizeram um apelo: 'como pai, peço a pessoa que estava ao lado dele, que possa se identificar e nos ajudar'

Por O Dia

Rio - Muito emocionados, amigos e familiares se despediram de Bryan Eduardo Merces, de apenas 6 anos, na tarde desta terça-feira, no Cemitério Jardim da Saudade, em Paciência, Zona Oeste do Rio. Durante o velório, duas tias do menino passaram mal e precisaram ser socorridas no local. Ao final, os pais de Bryan, Flavia Mercês e Christian Lopes da Cruz fizeram um apelo. “Como pai, peço a pessoa que estava ao lado dele, que possa se identificar e nos ajudar. Eu acabei de perder meu filho”, disse Christian, em prantos.  

Durante a cerimônia os presentes vestiam uma camisa branca com a frase #justiçapeloBryan. Na foto ele aparecia vestido com uma farda militar. Segundo a mãe, Bryan, recém diagnosticado com autismo, era apaixonado pela carreira militar. “Ele não podia ver um policial militar ou alguém fardado, era a paixão dele. Dizia que ele poderia ser um grande paraquedista”, contou Flavia, emocionada.

Bryan Mercês dos Santos%2C de 6 anos%2C morto por causa de uma briga de trânsito em Campo Grande%2C na Zona Oeste do RioRommel Pinto / Parceiro / Agência O Dia


Após se recuperar, uma das tias desabafou, mas ainda não assimilou a perda do sobrinho. “Ele ia lá pra casa  e dizia, 'Pia eu te amo tanto'. Ele me chamava de Pia. A gente era muito agarrado. Essa maldade não pode ficar impune”, lembra a tia. Amiga e vizinha da família, Dona Maria de Lourdes, 62 anos, contou que Bryan era um menino alegre e querido na rua onde morava, e que ela, mesmo em casa, se sente cada vez mais desprotegida. "O mundo está muito violento, até em casa você pode levar um tiro. Você leva um neto na praça e não sabe se volta. Por que  o governo não faz nada?”, questionou Lourdes.

Visivelmente fragilizado, Christian contou que nao conseguiu identificar as pessoas que estavam no carro de onde partiu o disparo que matou seu filho, mas afirma que o casal sabia que uma criança havia sido atingida. "Na hora que ele viu o que fez, ele saiu. Só lembro que ele tinha a minha cor e usava um bone preto. A mulher era parda,mas não vi o rosto dela”, relatou o pai. Ele também questionou o fato de não ter encontrado nenhuma viatura próxima para prestar socorro. “Se tivessem mais câmeras nas ruas a essa hora eu já saberia quem foi o assassino do meu filho”, completou.

Enterro do menino Bryan no Cemitério Jardim da Saudade%2C em Paciência%2C Zona Oeste do Rio. Rommel Pinto / Parceiro / Agência O Dia

A mãe de Bryan aproveitou o momento para fazer um apelo à mulher que acompanhava o homem que matou seu filho. "Se ela for mãe ela sabe a dor que eu estou sentindo, peço que ela denuncie ele. Tenho certeza que ela está com o coração partido. Eu ouvi gritos, tenho certeza que era você em desespero. Hoje você é minha única esperança de justiça pela vida do meu filho”, desabafou Flavia, que agradeceu a todos que puderam tornar aquele momento um pouco menos doloroso. "Cumpri minha missão, consegui enterrar meu filho de maneira digna”, contou. 

Na entrada no cemitério havia vários ônibus e vans fretadas por amigos da família e pela prefeitura do Rio, que também atuou de forma a realizar um pedido de Flavia, que seria enterrar o filho no Jardim da Saudade. “Esse lugar é muito bonito, tranquilo. Tenho certeza que meu filho também está muito feliz”, disse Flavia. Sua filha mais nova, Jullyene Vitoria, de 3 anos, também foi atingida pelo mesmo projetil que matou Bryan, mas o tiro passou de raspão na perna da menina, que já teve alta e passa bem. 

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