Disparidade salarial entre mulheres e homens é menor nas MPEs

Nas micro e pequenas empresas, o desequilíbrio de remuneração entre os gêneros é de 23,5%. Já nas companhias de maior porte, a diferença passa para 44,5%

Por O Dia

As trabalhadoras das micro e pequenas empresas (MPEs) têm algo o que comemorar no Dia Internacional da Mulher. Nos últimos dez anos, elas observaram a disparidade salarial em relação aos homens cair em comparação com as remunerações nas grandes corporações. Embora ainda esteja longe da igualdade entre os gêneros, o resultado do Anuário das Mulheres Empreendedoras, elaborado pelo Sebrae, em pareceria com o Dieese, mostra que esta é a diferença mais baixa verificada entre os dois tipos de empregadores. Nas companhias de maior porte, o desequilíbrio de remuneração entre os homens e as mulheres ainda é de 44,5%. Já nas MPEs, o número passa para 23,5%.

Segundo o diretor do Sebrae Nacional, Luiz Barreto, uma das razões para a aproximação de salários é que, em geral, nas micro e pequenas empresas há uma menor variedade de cargos e de atividades exercidas. “Outro fator que contribui é que há poucos profissionais em cargos de chefia. Para citar um exemplo, em cargos com remuneração de mais de dez salários mínimos, 62% são homens e 38%, mulheres.”

Margot Bertholo, dona do sex shop Muito Prazer ao lado das filhas, conta que paga igualmente seus funcionários, homens e mulheres de mesmo cargo. “Acho que não há diferença entre os gêneros. Os vendedores ganham um fixo e uma comissão em cima do que é vendido”, explica.

Essa evolução de paradigma nas empresas vem acontecendo ao longo dos últimos dez anos. Umas das mudanças nesse período foi o crescimento de empreendedoras: 19% de acordo com o mesmo anuário, o que também contribuiu para o aumento da remuneração. “As mulheres têm se lançado mais no mercado de trabalho, não só como forma de buscar a independência financeira, mas visando também o aumento do orçamento doméstico. Para isso, estão se capacitando cada vez mais. Como, em geral, possuem nível de escolaridade maior que o dos homens, passam a ser mais valorizadas profissionalmente, o que se reflete na melhoria dos salários que recebem.”

De acordo com o censo educacional do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), em 2012, 491 mil mulheres se graduaram, contra 338 mil homens. Já o estudo do Sebrae aponta que 55% das donas de pequenos negócios tinham, pelo menos, iniciado o Ensino Médio. Entre os homens, esse percentual é de 38,5%. “Elas encontram mais oportunidades nas pequenas empresas, pois nas maiores já existe um contingente alto de mulheres com ensino superior”, diz Barreto.

Uma dessas novas empreendedoras é Sophia Marins, dona da loja Atelier Look Fashion, inaugurado em novembro de 2014. Publicitária de formação, começou vendendo online roupas usadas. Depois de intensa procura, passou a comercializar roupas com as tendências atuais e agora tem seu próprio ateliê, onde vende as peças desenhadas por ela.

“Deixei de exercer a minha profissão, mas continuo na área. Usei meus próprios conhecimentos para o meu trabalho. Uso muito marketing e publicidade para conquistar meus clientes. Ainda faço MBA de Comunicação Estratégica para continuar me aprimorando no negócio, o que tem me influenciado muito, pois ensina como administrar uma empresa. É importante estudar para ficar atualizado no mercado.”

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