Flanelinhas atuavam livremente ontem em ruas com placas falsas que 'estendem' cobrança por vagas

Por O Dia

Rio - Um dia após a Polícia Civil revelar as fraudes no sistema de estacionamento público da cidade, sobretudo na Zona Sul, o esquema continuava funcionando normalmente nas ruas de Copacabana, apontada como o foco da quadrilha. As placas falsificadas do Rio Rotativo, com horário de cobrança mais extenso do que o estipulado pela prefeitura, continuavam instaladas ontem em diversas ruas, como a Sousa Lima, Bolívar, Santa Clara e Domingos Ferreira. Os flanelinhas atuavam normalmente e não havia operação para fiscalizar a autenticidade dos talões, já que as investigações revelaram que há muitos falsificados.

Na Domingos Ferreira%2C placa falsa continua. Nos detalhes ao lado%2C a sinalização oficial está abaixoAlexandre Brum / Agência O Dia

As irregulares na sinalização podem ser identificadas principalmente por dois detalhes. Nas placas oficiais, o período em que é obrigatória a utilização do tíquete do Rio Rotativo é de 7h às 19h (dias úteis) e 7h às 13h (sábados, domingos e feriados), enquanto na sinalização falsa os criminosos colocaram que o talão é obrigatório de 7h às 23h. Outro detalhe é que nas placas oficiais, a prefeitura escreve 'tíquete'. Já os criminosos, em muitos locais, usam a palavra 'ticket'. Os talões falsos podem ser reconhecidos pela falta de uma marca d'água na parte brilhante do bilhete. O brasão da prefeitura também foi falsificado e pode ser usado para distinguir os cartões.

O autônomo Pedro de Souza, de 32 anos, aproveitou a sexta-feira de sol para ir à praia com a amiga Luiza Ribeiro, 22, e foi pego de surpresa pela notícia sobre o esquema. "Não sabia que dava pra falsificar os talões. Mas é difícil saber se o flanelinha é credenciado, falta fiscalização e transparência", reclamou Pedro, que tinha acabado de pagar R$ 2 para estacionar na Avenida Atlântica, em frente a uma placa com o horário de exigência de tíquete, de 7h às 23h. O motorista do aplicativo Uber Thiago Rocha, 35, denuncia casos ainda em que há cobrança sem bilhete. "Você paga para estacionar, mas não recebe o talão."

Pedro Souza%2C ao lado de Luiza Ribeiro%2C diz que falta fiscalizaçãoAlexandre Brum / Agência O Dia

Segundo o delegado titular da 12ª DP (Copacabana), Gabriel Ferrando, que está à frente das investigações, o motorista que desconfiar da legalidade do talão ou da placa de sinalização deve procurar a polícia. "O motorista pode encontrar alguma dificuldade para identificar as irregularidades, pois não conhece parâmetros técnicos para distinguir. Caso o motorista suspeite de fraude, ele pode encaminhar o talão para a polícia para que o material passe por perícia."

As investigações começaram há quatro meses e os polícias pediram a prisão de cinco pessoas ligadas ao Sindicato dos Operadores de Tráfego e Guardadores de Veículos do Brasil (Sindotguave), que explora vagas na Zona Sul. O esquema faturava R$ 200 mil por semana, segundo Ferrando. O acusado José Renato Brito Ramos e Eduardo Lacerda Mendonça tiveram as prisões expedidas e são considerados foragidos. "A audácia é tanta que na Lagoa eles instalaram placa que dizia que tinha de pagar por dois tíquetes."

O tíquete oficial (da direita) tem a marca dágua na faixa prateadaDivulgação

Prefeito diz estudar novo sistema

O prefeito Marcelo Crivella elogiou o trabalho de investigação da Polícia Civil e prometeu buscar mecanismos para evitar possíveis fraudes no sistema de estacionamento. "Vou chamar o sindicato dos guardadores porque eles são os maiores interessados nisso, para que a gente possa estabelecer um outro sistema, não apenas esse de tíquetes. Acredito que nós possamos ir para sistemas mais modernos, sem causar desemprego, mas que evite fraudes no futuro", comentou.

A CET-Rio, responsável pelas placas na cidade, informou que está apoiando a investigação da 12ª DP fornecendo o cadastro das áreas de estacionamento rotativo regulamentadas e acompanhando os policiais na verificação da autenticidade da sinalização. Segundo a CET-Rio, foram identificadas e trocadas 36 placas irregulares nas ruas Hilário de Gouveia, Paula Freitas e República do Peru. O órgão pede que motoristas denunciem as irregularidades pelo telefone 1746. A prefeitura gasta em média R$ 1,5 milhão com depredações e roubos de placas de sinalização por ano.

Lava a jato não para

Mesmo após a força-tarefa de fiscalização da prefeitura, que desde julho multou 608 carros por estacionamento irregular na região da Mangueira, os lava a jatos clandestinos continuam a todo vapor. Ontem, o DIA flagrou um táxi de cooperativa na Rua Visconde de Niterói, com a placa coberta por um plástico preto, sendo lavado por duas pessoas.

Agora as placas dos veículos ficam cobertas por plásticoMaíra Coelho / Agência O Dia

Em nota, a Guarda Municipal afirmou que vai verificar a denúncia e informou que os veículos flagrados com placa ilegível serão devidamente multados de acordo com o Código de Trânsito Brasileiro. A infração é gravíssima, com multa no valor de R$ 293,47, e o motorista perde sete pontos na carteira nacional de habilitação. 

Além da Rua Visconde de Niterói, os lava a jatos continuam também na Radial Oeste, principalmente durante a noite. Para o serviço de limpeza irregulares dos veículos, é cobrado o valor de R$ 5 dos motoristas.

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