Turismo à frente da retomada do Rio

Por Alfredo Lopes Presidente da ABIH-RJ e do SindHotéis-RJ

A história da hotelaria carioca acompanha o desenvolvimento da cidade. E sempre foi assim, mas nunca foi tão valorizado como nos dias atuais. É o famoso 'quem viver verá'.

Governos entraram e saíram com olhos para os royalties do petróleo sem despertar para o fato de que nossas tão famosas simpatia e cordialidade representam a principal potência e podem constituir a saída para a retomada econômica em tempos de crise: a indústria da hospitalidade. Chegou a nossa vez!

Alinhados e conscientes sobre a importância da indústria do turismo para a retomada econômica do Estado do Rio, governos federal, estadual e municipal tomam decisões para fortalecer a atividade econômica e os 50 setores produtivos que o receptivo turístico impacta.

O Rio está pronto para receber brasileiros e estrangeiros. Dobramos nossa oferta de leitos, ampliamos nossos equipamentos turísticos, modernizamos e expandimos nossos sistemas de transportes, facilitando a mobilidade urbana, e superamos, com maestria, as expectativas quanto à recepção dos que nos visitaram durante o maior evento esportivo de mundo. O tão sonhado cenário pós-Olímpico veio como um banho de água fria, acompanhado de crise econômica, instabilidade política e novas crises de segurança. Mas não esmorecemos.

Como fênix, mostramos que estamos aqui para mais do que lamentar. Provamos que o nosso setor pode e vai protagonizar a retomada econômica do estado, gerando empregos, renda e atraindo, pelo turismo, divisas para nosso país.

Nada constrange mais um empresário do que demitir. Cada novo emprego é sinônimo de distribuição de renda e justiça social. A nossa indústria hoteleira é a atividade econômica que mais rapidamente reage e gera empregos. Cada novo quarto de hotel significa até quatro empregos, sendo um direto e três indiretos na indústria de turismo e serviços.

Por isso, orgulhosamente representamos nosso estado no lançamento do Programa Progredir, no dia 26 de setembro, iniciativa do governo federal para gerar oportunidades de empregos para a população em situação de pobreza.

O termo de adesão que assinamos oportuniza a implementação de cursos profissionalizantes e a inclusão digital da população mapeada no Bolsa Família. Significa inclusão social. E é exatamente isso que a hotelaria vem fazendo historicamente. A indústria da hospitalidade gera hoje mais de 180 mil empregos somente na capital carioca, segundo dados recentes do SindHotéis-RJ. Fomos os principais empregadores dos operários dos canteiros das obras olímpicas. Cada evento que recebemos motiva centenas de empregos, entre fixos e temporários.

O turismo é e pode se tornar ainda mais estratégico como instrumento transformador de economias e sociedades, promovendo inúmeras possibilidades de inclusão social, oportunidades de empregos, atraindo novos investimentos e colaborando de forma ímpar na arrecadação de impostos.

Recentemente, fruto deste alinhamento entre as governanças, fomos contemplados com o calendário 'Rio de Janeiro a Janeiro', um pleito atendido que é a criação de um calendário de eventos robusto que motiva a circulação de turistas ao longo de todo o ano e promove a manutenção das taxas de ocupação, tendo, como consequência, a manutenção do nosso quadro de funcionários.

Também fomos contemplados com o apoio das tropas federais no enfrentamento à situação de violência que voltou a afugentar nossos visitantes e amedrontar nossos moradores em função da guerra do tráfico que invadiu o Rio.

Temos a ousada esperança de que, através de um reforço na geração de empregos, possamos oferecer um futuro digno para nossa juventude ameaçada. Como lembrou o publicitário Roberto Medina, organizador do Rock in Rio, cada turista na praia representa empregos gerados nas comunidades carentes.

A hotelaria não pode e não vai ficar fora deste chamamento de cidadania.

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