Uma atriz mais exigente com o trabalho

No ar em 'Cidade dos Homens', Roberta Rodrigues diz que não quer reforçar uma 'ideia errada' sobre negros e pobres

Por BÁRBARA SARYNE

Roberta Rodrigues interpreta a Poderosa em 'Cidade dos Homens'
Roberta Rodrigues interpreta a Poderosa em 'Cidade dos Homens' - João Cotta/TV Globo

Roberta Rodrigues ficou afastada da televisão desde o nascimento de sua filha, em fevereiro de 2016. No período que ficou em casa, a atriz conta que pensou melhor sobre o que realmente gostaria de fazer ao voltar para a TV, concluiu que nem todo convite é bem-vindo e logo foi surpreendida com uma proposta da Globo.

"Minha filha me moveu a pensar. A partir de agora, eu quero sentar e estudar meus personagens, ver as histórias que estou contando porque eu represento uma galera", afirma Roberta, que topou o convite para viver a Poderosa, mãe do filho de Laranjinha (Darlan Cunha), na segunda temporada de 'Cidade dos Homens', que termina hoje.

"A Poderosa era uma louca, desvairada (risos). Ela vivia na comunidade, queria curtir a vida e se envolvia com marginais. Depois de dez anos, essa mulher volta toda preocupada ao descobrir que teve um tiroteio na escola do filho", diz.

Laranjinha, pai de Davi (Luan Pessoa), não aceita disputar a atenção do herdeiro com a mãe que está de volta. Evangélica, a mulher mostra que realmente se arrependeu e, agora, com uma vida dedicada à música gospel, não abre mão de encarar a Justiça para ter o direito de "recuperar o tempo perdido".

"Às vezes, o amor está nas maiores dores. Eu penso que essa mãe foi embora porque era envolvida com o tráfico e sabia que não seria uma boa influência para o filho naquele momento", defende a atriz.

Para ela, reconhecer o erro e voltar atrás é muito mais corajoso que deixar de enfrentar os problemas. Foi pensando nisso, Roberta admite, que resolveu interpretar a Poderosa, que traz algo novo para o público da série.

"Quando se fala em 'Cidade dos Homens', as pessoas esperam cenas de violência, mas aí aparece essa mulher, que viveu tudo aquilo, mostrando que as pessoas podem se transformar, mudar e melhorar todos os dias", avalia.

Fugindo de estereótipos, a atriz, de 35 anos, garante que não desmerece seus trabalhos anteriores, mas vai agir de uma forma diferente daqui para frente. Agora, ela garante que não vai mais reforçar uma "ideia errada" que as pessoas têm dos negros e dos pobres.

"É para eu interpretar uma pessoa de comunidade? Tudo bem, mas eu não vou falar errado. A personagem é de comunidade, mas ela pode ter uma conscientização, ela pode ter estudado", diz.

Amiga de muitos evangélicos, Roberta conta que também pensou muito na hora de construir a personalidade da ex-mulher de Laranjinha. Com respeito, ela explica que não queria passar a impressão de que a religião foi a justificativa para o retorno e as mudanças da Poderosa.

"Eu não quis receber a religião com fanatismo porque acho que o fanatismo leva ao preconceito. A religião, na vida dela, é algo que a deixa preenchida de esperança", revela.

Em 2018, Roberta garante que aparecerá mais vezes na telinha, mas ainda não pode revelar o nome do projeto. "Eu quero trabalhar, não vou parar nunca. Estou com um projeto que está chegando e daqui a pouco vocês vão saber", despista.

No primeiro dia de trabalho, ela conta que ligava todos os dias para o pai da pequena para saber como ela estava, até que levou um fora. "Foi tipo um tapa na cara. Ele falou para eu relaxar e trabalhar, já que era o que eu tanto queria porque a Flor não estava nem lembrando que eu existia".

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