Índios entram em confronto com a PM após protesto em Brasília

Eles se reuniram no Congresso Nacional e caminharam para o estádio Mané Garrincha, onde receberam apoio de manifestantes

Por O Dia

Brasília - Cerca de 500 índios de pelo menos 100 etnias participaram nesta terça-feira de um protesto em frente ao Supremo Tribunal Federal, em Brasília. Eles protocolaram queixa-crime contra os deputados Luíz Carlos Heinze (PP-RS) e Alceu Moreira (PMDB-RS) que, segundo a denúncia, discriminaram a população indígena.

"Esses parlamentares incitaram o racismo e o preconceito contra a população indígena quando, em audiências públicas oficiais, fizeram falas discriminatórias, dizendo que índios, gays, lésbicas e quilombolas são tudo que não presta no Brasil", disse Kleber Karipuna, representante da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira.

Há dois meses, a queixa contra os mesmos deputados foi apresentada à Procuradoria-Geral da República (PGR). "A denúncia foi feita, mas a gente percebeu que não houve um seguimento, disse Sonia Guajajara, da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil.

Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa da PGR informou que todas as ações protocoladas sobre o caso estão sob análise. O gabinete do deputado Alceu Moreira lembrou que o parlamentar criticou apenas o governo e o ministro Gilberto Carvalho por, nas palavras do deputado, “orquestrar os conflitos sociais”.

A assessoria de Luíz Carlos Heinze informou que, à época da apresentação da primeira denúncia à PGR, o deputado esclareceu que não criticou os povos indígenas e nem as comunidades quilombola ou homossexual, mas, sim, algumas lideranças de movimentos sociais.

Depois de apresentar a denúncia ao Supremo, os indígenas fizeram uma pajelança na Praça dos Três Poderes. Em seguida, foram até a parte superior do Congresso, próximo às cúpulas onde ficam os plenários da Câmara e do Senado.

Segundo Sonia Guajajara, o ato simbolizou a discordância dos índios com os parlamentares. "Estamos no Congresso onde a cada dia temos nossos diretos atacados; onde está a maior ofensiva contra o direito dos povos indígenas", afirmou.

No Congresso, entoarem cantos por meia hora antes de descer a rampa e se dirigir ao Ministério da Justiça, onde também se manifestaram. Encerrando, eles saíram em caminhada pelo Eixo.

Contra a Copa

Manifestantes que protestam contra a realização da Copa do Mundo entraram em confronto com a Polícia Militar (PM) do Distrito Federal ao tentar se aproximar do Estádio Nacional de Brasília.

Os manifestantes fizeram um ato em frente à rodoviária e, em seguida, decidiram seguir em direção ao estádio com uma taça alternativa da Copa do Mundo para substituir o troféu original, que está em exibição em Brasília, na área externa da arena.

Antes de chegar ao estádio, alguns manifestantes começaram a atirar paus e pedras em direção aos policiais militares, que organizaram uma barreira de contenção para evitar a aproximação do protesto. A PM reagiu com gás lacrimogêneo.

Parte do Eixo Monumental, via que passa ao lado do Estádio Nacional, está interditada e o protesto continua ocupando a pista. Entre os manifestantes, estão indígenas, integrantes de comitês populares da Copa e do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST).



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