Manifestantes fazem protestos em 15 estados contra Lula e Dilma

Grupo fechou nesta noite trecho da Avenida Atlântica contra Lula e Dilma. Protestos se seguiram em Brasília e São Paulo

Por O Dia

Brasília - Manifestações em 15 estados e no Distrito Federal ocorreram nesta quarta-feira depois da divulgação pelo juiz Sérgio Moro dos áudios de conversas entre a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A maioria dos protestos foi contra a nomeação de Lula como ministro-chefe da Casa Civil e contra Dilma. Em Copacabana, grupo vestido de verde e amarelo chegou a fechar por alguns instantes trecho da Avenida Atlântica, altura do Posto 5.Também houve panelaço em bairros da Zona Sul.

Em São Paulo, os protestos se concentraram na frente do Museu de Arte de São Paulo (Masp) e diante do prédio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Um painel de luzes que cobre a fachada do edifício levava uma tarja preta, com os dizeres: “Renúncia já”.

Os manifestantes pedem que o ex-presidente volte atrás na decisão de aceitar o cargo. O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, tem dado diversas declarações contrárias ao governo de Dilma. Ele chegou, inclusive, a manifestar apoio formal da entidade ao impeachment da presidente.

Grupos contrários ao governo exigem nas ruas a saída de Dilma e a prisão de LulaEfe

Em Brasília, cerca de cinco mil manifestantes favoráveis ao impeachment de Dilma Rousseff, segundo a Polícia Militar do Distrito Federal, também fizeram protesto, em frente ao Palácio do Planalto, contra a nomeação de Lula. A PM chegou a usar gás lacrimogêneo para dispersar um início de discussão com grupo pró-Lula, que também estava no local.

Cerca de 30 parlamentares participaram do início da manifestação. Eles carregavam uma faixa com uma frase dita pelo próprio Lula em 1988: “Quando um pobre rouba, vai para a cadeia; mas quando um rico rouba, ele vira ministro”. Eles tentaram entrar no Palácio do Planalto e houve um princípio de tumulto com seguranças.

Um ato intitulado ‘Pela liberdade democrática’ lotou as dependências do Tuca, o teatro da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), em Perdizes, na Zona Oeste de São Paulo. O público gritava: “Não vai ter golpe”, em apoio a Lula.

Em Belo Horizonte, segundo a PM, cerca de 400 pessoas carregaram bandeiras do Brasil e faixas de protesto. As pessoas entoaram palavras de ordem como “não vai ter golpe” e “nossa bandeira jamais será vermelha”.

Classe política fica entre a perplexidade e a exaltação

Perplexidade e exaltação. Este foi o ânimo que tomou conta da classe política, em Brasília, pega de surpresa com a divulgação pelo juiz Sérgio Moro de diálogos entre a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Depois da divulgação das conversas%2C deputados pediram a renúncia de Dilma no plenário da Câmara Divulgação

Em coro, deputados de oposição pediram ontem à noite no plenário da Câmara a renúncia da presidente da República. Oposicionistas se inflamaram e houve bate-boca generalizado. Petistas tentaram defender Dilma chamando de “golpistas” os deputados de oposição. Apesar de a sessão ter sido encerrada, deputados continuaram no plenário gritando palavras de ordem contra Dilma. Um pouco antes, oposicionistas também pediram, em coro, a prisão de Lula: “Lula, ladrão, seu lugar é na prisão.”

Já o vice-presidente Michel Temer (PMDB) estava em sua casa em São Paulo quando recebeu a notícia de que uma conversa entre Lula e Dilma Rousseff havia sido interceptada e divulgada pela Justiça. Segundo pessoas próximas, o peemedebista está “perplexo” com a situação.

Temer falou com algumas pessoas próximas, imprimiu os trechos da investigação sobre Lula que foram divulgados pelo juiz Sérgio Moro e, agora, segundo dizem, está detido na análise desse conteúdo.
Sem citar nomes específicos, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), criticou a atuação de Sérgio Moro, a quem chamou o magistrado de “juiz de exceção”.

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