PP prefere Cunha, mas deixa decisão para janeiro

Parlamentares do partido, que faz parte da base aliada e terá 37 representantes na nova formação da Câmara, afirmam que o líder peemedebista é o único capaz de conquistar o apoio unificado do PP na disputa pela Presidência da Casa

Por O Dia

Por Leonardo Fuhrmann (interino)

O deputado federal Julio Delgado (PSB-MG) é um dos candidatos ao comando da Câmara dos Deputados Lucio Bernardo Jr

Oficialmente, o PP deve decidir somente uma semana antes da eleição qual será o candidato que o partido vai apoiar para a Presidência da Câmara. Os parlamentares devem se reunir na última semana de janeiro para decidir o assunto. Mas, dentro da bancada, a certeza é que só será possível manter os deputados do PP unidos em torno de uma única candidatura se o escolhido for o líder do PMDB, Eduardo Cunha (RJ). A avaliação é que a candidatura dele conseguiu criar “um sentimento que uniu a casa” e que será preciso muito trabalho para reverter essa situação em pouco mais um mês. Mesmo sem admitir uma interferência na disputa, a presidenta Dilma deu maior atenção às indicações dos deputados federais na hora de formar o primeiro escalão de seu governo.

A avaliação é que os deputados federais Julio Delgado (PSB-MG) e Arlindo Chinaglia (PT-SP) terão de trabalhar muito para ter chances na disputa contra Cunha. Além de ter oficializado sua candidatura primeiro, ele levou sua campanha aos estados, com um discurso que tenta agradar a todos: governista quando está com integrantes da base aliada e oposicionista nas conversas com o lado oposto. Os dois outros candidatos aparecem com um perfil mais claramente definido. Além disso, ambos temem mais traições dentro dos partidos que lhe declararam apoio. Nas contas oficiais, Delgado e Chinaglia têm entre 100 e 110 apoiadores cada um. A lista de simpatizantes de Cunha fica entre 120 e 160 deputados, conforme a estimativa. O peemedebista conta ainda com o empenho do atual presidente da Casa, Henrique Alves (PMDB-RN), para se eleger.

Haddad decidirá sobre gastos regionais

A maior expectativa em relação à peça orçamentária que o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), deve sancionar é a emenda que impede o remanejamento das verbas destinadas às subprefeituras. No começo da gestão, ele pretendia aumentar a autonomia dos gestores regionais, uma bandeira defendida pelo PT desde os anos 1980, quando comandou o Executivo paulistano pela primeira vez. As últimas medidas — como a criação do Comitê Intersecretarial de Articulação Governamental, comandado pela vice-prefeita, Nádia Campeão (PCdoB) — apontam para o sentido contrário. Um eventual veto é visto como o fim da descentralização.

Emenda do PMDB

A proposta de impedir o remanejamento foi feita pelo PMDB. O partido é um dos aliados que mais brigaram para aumentar o seu espaço na administração, em especial nas subprefeituras. Nos últimos meses, os vereadores obstruíram votações na Câmara para pressionar o prefeito.

Mensagem em alta com Dilma

A Mensagem ao Partido, coletivo petista ligado ao governador Tarso Genro (RS), conseguiu aumentar a sua força política na composição do novo governo. Além de manter o comando da Justiça, com José Eduardo Cardozo, o grupo terá Miguel Rossetto na Secretaria-Geral e Pepe Vargas nas Relações Institucionais. O atual líder do governo na Câmara, Henrique Fontana, também faz parte do coletivo de tendências petistas. Dos quatro, apenas Cardozo não é gaúcho.

Vaga para outro integrante do grupo

A nomeação de Pepe Vargas para o Ministério das Relações Institucionais também abre espaço para que o deputado Fernando Marroni assuma uma cadeira na Câmara dos Deputados. Ele constava na primeira lista de eleitos, mas perdeu a vaga depois da validação pela Justiça Eleitoral do Rio Grande do Sul dos votos de candidatos que haviam sido anteriormente impugnados. Assim como Pepe, Marroni também faz parte da Mensagem ao Partido.

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