'Fui derrotado pelo tsunami antipetista', diz Eduardo Suplicy

Aos 73 anos, o petista está deixando o Senado depois de três mandatos consecutivos. Ele afirma que foi prejudicado, nas eleições de outubro, pelo mau momento que vive o PT em São Paulo, sob abalo das condenações do mensalão e das investigações da Operação Lava Jato

Por O Dia

'Lula está credenciado como poucos%2C para disputar a Presidência da República'%2C diz Eduardo SuplicyPiervi Fonseca

Prestes a encerrar seu terceiro mandato consecutivo como senador por São Paulo, Eduardo Suplicy dá sinais de que não se afastará da vida pública. Aos 73 anos, o Matarazzo que ajudou a fundar o Partido dos Trabalhadores mostra disposição para discutir e fazer política por muito mais tempo e não descarta voltar a disputar eleições. Em entrevista ao Brasil Econômico, Suplicy defende o referendo como caminho mais viável para a reforma política e avalia: “Não fosse esse tsunami antipetista, acredito que teria chegado a mais de 50% dos votos”. Um dos responsáveis por aproximar o PT da classe média, Suplicy acredita que a rejeição a seu partido se explique pelo julgamento do mensalão e pela Operação Lava-Jato. Atualmente, prepara um curso que lecionará na USP e um livro sobre seus 24 anos no Senado. Enquanto isso, aguarda uma resposta da presidenta Dilma Rousseff sobre a criação de um grupo de trabalho para implementar o projeto de renda básica de cidadania, sua maior bandeira.

Após 35 anos de vida parlamentar, o sr. não conseguiu se eleger. O que aconteceu?

Não fosse esse tsunami antipetista, acredito que teria chegado a mais de 50% dos votos no Estado de São Paulo. Olha que, em 1990, eu tive 4,201 milhões de eleitores, 30% dos votos válidos. Em 1998, foram 6,776 milhões, correspondendo a 43% dos votos; em 2006, 8,896 milhões, equivalentes a 48% dos votos válidos. Eu tinha uma expectativa de poder vencer essas eleições, possivelmente com mais de 50% dos votos.

A que o sr. atribui o crescimento do antipetismo em São Paulo?

Primeiramente, foram os problemas relacionados a todo o processo da Ação Penal 470, o mensalão. E, neste ano, os problemas que surgiram com respeito à Petrobras e à Operação Lava-Jato — que não para de gerar manchetes nos jornais sobre mal-feitos de algumas pessoas que, infelizmente, agiram de forma errada dentro do governo do PT, e contribuíram significativamente para diminuir a força do partido, especialmente no Estado de São Paulo, onde os meios de comunicação, os principais jornais, revistas, emissoras de rádio e televisão bombardearam o PT diariamente.

É verdade que não houve um esforço financeiro do PT na sua campanha?

Quando se abriu o momento do levantamento de recursos para a campanha, no começo de junho ou julho, o presidente do diretório estadual do partido me disse: “Olha, Eduardo, nós avaliamos que você tem mais condições de solicitar recursos pessoalmente do que nós do partido, porque vamos ter bastante dificuldade. Vamos deixar com você a parte referente ao levantamento de recursos para sua campanha”. Em que pese eles terem transmitido à Justiça Eleitoral que os recursos da minha campanha poderiam chegar a R$ 12 milhões ou R$ 13 milhões, eu estimava em apenas R$ 3 milhões o que ia gastar. Foi uma campanha relativamente modesta. Consegui arrecadar, até os últimos dias antes das eleições, algo como R$ 2,5 milhões, e ficaram faltando, naquilo que era despesa direta da minha campanha, algo como R$ 450 mil, uma dívida que ficou. Mas, pela própria legislação eleitoral e pela regra do partido, isso fica como responsabilidade do partido. Se você examinar a arrecadação do José Serra e do Gilberto Kassab, foram três, quatro vezes superiores à minha. O partido também atribuiu a mim uma parte das despesas gerais da campanha. Ficou um pouco mais do que R$ 4 milhões. Mas a minha, propriamente, somou cerca de R$ 3 milhões.

O sr. ficou com algum tipo de ressentimento por ter precisado financiar sua campanha por conta própria?

É fato que, muitas vezes, eu tenho mais facilidade de ser recebido por pessoas que pudessem dar contribuições à campanha, mas, mesmo assim, foi muito difícil e, após o resultado das eleições, eu tentei contatar muitas pessoas. Mas foi muito difícil.

Qual é sua posição sobre a necessidade da reforma política?

Fui autor do parecer do projeto do senador Jorge Viana (PT-AC) para coibir as contribuições de pessoas jurídicas e, de acordo com as recomendações da campanha por eleições limpas, acrescentei uma emenda para que a pessoa física pudesse contribuir com um limite de até R$ 1.700 por pleito. Neste ano, tivemos cinco pleitos, para presidente, governador, senador, deputado federal e estadual. Mas, infelizmente, isso foi apreciado no primeiro semestre de 2014, sem ter sido aprovado. Também não foi aprovado o projeto que apresentei, pelo qual todo candidato e partido político deveria registrar, ao longo da campanha, se possível em tempo real, as contribuições de qualquer natureza que cada candidato e partido recebam, para que, às vésperas da eleição, cada eleitor pudesse conhecer a natureza do financiamento pela página eletrônica do candidato e do partido.

Há uma série de propostas em debate para a reforma política. Qual modelo lhe agrada mais?

Além dessas três proposições que mencionei, as quais são importantes para a reforma política, com respeito ao voto distrital, acho que poderia haver um sistema misto. Não apenas o distrital, para que os eleitores estivessem mais próximos de seus representantes, mas também na forma atual (proporcional), porque há certos representantes do povo que têm causas importantes, abraçadas por pessoas para muito além de seus distritos. Se eu fosse candidato a deputado federal, por exemplo, ou vereador, em São Paulo, sei que teria apoios para muito além do distrito onde eu moro. Acho que deve haver uma combinação de ambos. Também sou favorável à eleição em lista, e até apresentei projeto de lei para que cada partido faça, antes, a prévia entre seus filiados, ou entre todos os eleitores, para saber qual será a ordem na lista dos candidatos de cada partido. Acho que os eleitores têm vontade de votar nos seus respectivos candidatos. Então, também poderia se pensar no voto em lista em dois turnos, votando no partido, no primeiro turno, e no candidato, no segundo.

Como a reforma deveria ser conduzida?

Nesta legislatura, não foi possível realizar a reforma política para valer, como propõe a OAB, porque as forças conservadoras impediram. Pude ver isso na votação desses projetos que mencionei. Nessa nova legislatura, se as propostas para a reforma, tais como as que mencionei, forem apreciadas, sendo algumas aceitas, e outras não, e forem objeto de referendo popular, poderemos realizar uma reforma efetiva. Vamos supor que a contribuição de pessoa jurídica passe por maioria no Congresso Nacional. Sabemos que a população, hoje, tem vontade de acabar com a contribuição de pessoas jurídicas, passando ao financiamento público, ou, eventualmente, somente ao financiamento de pessoa física, limitado a um certo montante. Acho que deve haver, sim, o referendo. E acredito que, só assim, teremos o fim das contribuições de pessoas jurídicas.

Então, o sr. defende o referendo, em lugar do plebiscito, desejo inicial da presidenta Dilma?

O plebiscito seria, também, algo interessante, mas acho mais difícil de ser aprovado no Congresso Nacional. Acho que o referendo é mais viável. E também acho que, se for bem sucedida a proposta de se realizar a votação inicialmente no Congresso, daí submetida a referendo, não precisaria haver a Constituinte exclusiva para a reforma política. Mas, se não se aceitar nem o plebiscito nem o referendo, acho que a Constituinte vai se tornar necessária. Mas não é fácil aprovar uma Constituinte exclusiva. No âmbito do PT, a reforma política é uma das propostas que está sendo, até, objeto de recolhimento de assinaturas. Então, eu tenho apoiado o movimento pela reforma, por meio de Constituinte exclusiva. Só que, como não tenho a certeza de que isso vá se tornar viável, continuo a batalhar pelas formas que existem hoje.

O sr. citou a força dos setores conservadores no Congresso, que parece ter aumentado nestas eleições. Como avalia esse movimento?

Estou consciente do crescimento dessas bancadas mais conservadoras. Para termos avanços, vai ser necessária a mobilização dos movimentos sociais. Se a direita resolver sair às ruas, acho que os mais progressistas têm condição de comparecer em número muito maior. Podemos colocar mais gente nas ruas que a direita. Com a mobilização dos movimentos sociais, em que pese o Congresso com características mais conservadoras, acredito que possamos avançar.

Sem mandato a partir do ano que vem, o que pretende fazer?

Vou continuar a estudar todas as formas de implementar a renda básica de cidadania. Disponho-me a ajudar qualquer prefeito ou governador, em qualquer estado do Brasil, como tenho feito, para pensar sobre isso. Tenho sugerido à presidenta Dilma, nas diversas cartas que enviei a ela, desde o ano passado, que ela institua um grupo de trabalho para estudar as etapas em direção à renda básica de cidadania. Espero que ela possa, logo, me responder. Sugeri a ela 70 nomes, dos mais eminentes especialistas no tema da erradicação da pobreza e nas formas de melhorar a distribuição da renda, como uma sugestão formulada a ela. Obviamente, se a presidenta Dilma criar esse grupo de trabalho para estudar as etapas e as formas de instituir, a médio e longo prazo, a renda básica de cidadania, ela sabe que estou inteiramente à disposição de integrar esse grupo.

O sr. voltará a dar aulas?

Fui convidado para dar aulas na USP Leste. Há algumas semanas, eles formalizaram o convite e, há poucos dias, recebi uma carta de um professor de lá dizendo que, talvez, pudessem fazer em um auditório para 66 pessoas, mas já tinham 89 inscritas e, então, irão fazer no maior auditório, onde cabem 140 estudantes, dado o interesse tão grande. Fiquei feliz. O curso será sobre os instrumentos de política econômica para a construção de uma sociedade civilizada e justa. Começarei o curso dizendo que, se quisermos construir uma sociedade civilizada e justa, precisamos levar em consideração os valores que não sejam, unicamente, a busca do interesse próprio, de se levar vantagem em tudo. É claro que todos queremos progredir e ficamos felizes do progresso de nossos filhos e entes queridos. Eu, por exemplo, fico feliz com o sucesso do Supla, do João e do André, meus filhos. Mas transmito a eles e a meus alunos que precisamos, também, levar em conta os valores que são próprios da história da humanidade, a busca da fraternidade, da solidariedade, da realização da justiça, da democracia, da paz e assim por diante. Na primeira aula do curso, eu passo o vídeo de um dos melhores discursos que conheço da história da humanidade, que é “I have a dream”, de Martin Luther King Jr. Antes, leio, para que todos compreendam bem, a tradução em português que eu mesmo fiz e está reproduzida no meu livro “Renda de cidadania, a saída é pela porta”.

E além das aulas?

Na semana passada, a editora Saraiva me convidou — e eu aceitei — para que eu escreva um livro sobre meus 24 anos no Senado, as histórias mais interessantes. Vocês já estão dando uma prévia do livro que aceitei escrever ao longo do próximo ano. Serão 24 capítulos. Mas até 31 de janeiro, eu tenho que trabalhar intensamente como senador.

O sr. pensa em voltar a disputar eleições?

Isso está em aberto. Pode acontecer. Ainda nesta semana, o deputado Chico Alencar (Psol) perguntou se era verdade que eu poderia me candidatar a vereador no Rio de Janeiro nas próximas eleições (risos). A Mônica Dallari, que é minha namorada há 12 anos, brinca comigo que se eu for eleito vereador no Rio, ela até se muda e casa comigo.

O sr. vai sentir saudades da vida em Brasília?

Eu sempre gostei muito do trabalho em Brasília. Sinto-me bem lá. Chego cedo no Senado e saio bem tarde, muitas vezes às 22h30, 23h. Na votação da LDO, a sessão começou às 10h30 e acabou às 5h30 do dia seguinte. Minha vida em Brasília é, sobretudo, de trabalho. De quando em quando, sou convidado para jantares e almoços nas embaixadas e, às vezes, encontros nas casas de colegas para conversar com um ministro. Também fui muito a lançamentos de livros, e assim por diante.

A renovação dos quadros parece ser uma dificuldade do PT. Como o sr. enxerga esse problema?

Felizmente, o Partido dos Trabalhadores tem grandes valores com mais idade e grande experiência, a começar pela figura do presidente Lula. E, felizmente, temos novos valores, dentre os quais o Fernando Haddad, que são promessas muito significativas para exercerem cargos importantes no país. Isso é uma qualidade do partido.

E quem seria o candidato de sua preferência para a disputa presidencial de 2018?

Há uma expectativa, dentro do partido e na população, que, em estando bem de saúde, o presidente Lula tenha toda a condição de voltar a ser o candidato.

O retorno de Lula não evidenciaria a dificuldade de renovação?

Depois de toda a experiência que ele teve e desses anos de reflexão e aprendizado do que poderia ser ainda melhor em relação ao que já fez, ele está credenciado, como poucos, para disputar novamente a Presidência. O exemplo do Pepe Mujica é dos melhores, uma das pessoas que mais contribuiu para um avanço importantíssimo de um país irmão como o Uruguai.

Como o sr. avalia a gestão de Fernando Haddad na Prefeitura de São Paulo? O sr. cogita trabalhar na prefeitura?

Primeiro, tenho a intenção de colaborar, ao máximo, para que a gestão do Fernando Haddad seja a melhor possível. Ele sabe disso, tenho sempre tido uma atitude de cooperação. Participei de 33 reuniões dos diretórios distritais de toda a São Paulo, como pré-candidato a prefeito. Na última reunião, a maior de todas, na Assembleia de Deus de Guaianases, onde havia cerca de 1.500 pessoas, Haddad disse para todos que tinha grande respeito pelas propostas que eu apresentara e por minha batalha pela renda básica de cidadania e que, portanto, ele iria, como eu me propunha a fazer, tentar iniciar uma experiência da renda básica da cidadania, em cooperação com os governos do estado e da União. Quando ele abraçou essa proposta, eu disse a ele que, então, abria mão para que ele fosse candidato a prefeito, e assim aconteceu. Eu tenho tido a atitude de sempre colaborar com ele. O diretório municipal me convidou para estar numa reunião da direção municipal, porque eles querem fazer uma reflexão sobre a eleição e, também, ter um diálogo comigo para saber, daqui para frente, o que vai acontecer e qual a minha disponibilidade de estar participando. Estou inteiramente em aberto para conversar a respeito.

Existe a possibilidade de ocupar um cargo?

Em tudo que for solicitado para ajudar a pensar, estudar, eu vou estar com tempo agora. Estou lendo “O Capital No Século XXI”, do Thomas Piketty. Estou gostando do livro e conversei com ele após uma palestra na Universidade Federal do ABC. Irei escrever uma reflexão sobre os ensinamentos dele colocados em suas palestras no Brasil.

Como o sr. viu as declarações da Marta Suplicy após a saída do Ministério da Cultura e sua possível migração para o PMDB?

O que ela disse é que espera boas escolhas para a equipe econômica, com o fim de restabelecer um grau de confiança. Já com respeito a permanecer ou não no partido, não conversei com Marta sobre isso, mas se ela me perguntar, direi o mesmo que tenho para mim mesmo: permanecer no partido.

O sr. produz sua página do Facebook pessoalmente?

Até fevereiro, não dava tanta atenção ao Facebook e nem sabia como funcionava. Tinha 5 mil curtidas. Daí, eu comecei a olhar pessoalmente, todos os dias, e a interagir, seja pela minha assessora de imprensa e, sobretudo, pela Mônica. Ela resolveu colaborar muito e, todos os dias, eu trocava ideias com a minha assessoria e decidia o que colocar. Com frequência, eu escrevo os textos e dou liberdade a Mônica para enxugar — ela às vezes corta pela metade. É uma ferramenta formidável. Em maio, os 5 mil tinham passado para 100 mil. Após o resultado das eleições, foi mais intenso ainda. Agora, tenho quase 315 mil curtidas na página.

Contrariando setores do PT, o sr. foi um dos entusiastas da vinda da blogueira cubana Yoani Sánchez ao Brasil.

Algumas pessoas chegaram a estranhar que eu tivesse acompanhado e participado do diálogo com a Yoani Sánchez. Alguns jovens de partidos chegaram a fazer protestos contra ela e, às vezes, até, disseram não compreender como eu estava junto a ela. Desde a fundação do PT, nós defendemos a liberdade de imprensa plena, tal como está no estatuto, que foi escrito, em grande parte, pelo Plínio de Arruda Sampaio. Entrei no PT por concordar com tais objetivos.

Como o sr. vê a esquerda hoje no Brasil e no mundo? O PT representa seus interesses?

Princípios como justiça, democracia e igualdade continuam válidos e são os que me fazem ser e permanecer no Partido dos Trabalhadores. Tenho muitos amigos e afinidades em partidos como o PCdoB, o PDT, o PSB e o Psol. A esquerda pode ter diversos partidos, como acontece agora no Uruguai, onde a Frente Ampla, que reúne vários partidos, foi bem sucedida pela terceira vez. Pepe Mujica e sua mulher, Lucía Topolansky, são membros da Frente de Mobilização Popular, em cujo programa consta a defesa da renda básica. Na Espanha, o Podemos, partido formado pela grande movimentação nas ruas e nas redes sociais, também defende em seu programa a renda básica universal. Fiquei muito contente de notar esses dois movimentos, e fiz um discurso no Senado ressaltando esse aspecto. O Podemos, inclusive, já aparece à frente dos dois principais partidos da Espanha, o PP e o PSOE, nas pesquisas de opinião. Eles deram um salto este ano, elegeram vários membros ao Parlamento Europeu.

Muito se fala que o PT mudou no poder. O partido se distanciou de suas bandeiras originárias?

Erros foram cometidos. Recebo mensagens dizendo que o partido não é mais o mesmo, pedindo minha saída do PT. Normalmente, respondo que, quando a gente está em uma família, ou em uma organização, e alguns membros cometem erros, não se sai dessa família. Em um partido tão grande como o PT, com mais de 1,6 milhão de filiados, as pessoas erram, e é importante contribuirmos para prevenir e corrigir isso. Quando o Delúbio Soares depôs perante a CPI dos Correios e do Mensalão, ele admitiu que o partido e ele, como tesoureiro, haviam utilizado recursos não contabilizados. Em campanha, Dilma enfatizou iniciativas como considerar crime eleitoral a utilização de caixa 2. Exatamente para ter o propósito de prevenir isso, tenho defendido e pratico a transparência em tempo real de todas as contribuições, de qualquer natureza, para minha candidatura. Na minha página eletrônica, você pode ver todas as contribuições. Muito modestas, em relação a meus principais adversários.

Os nomes de Joaquim Levy, para a Fazenda, e Kátia Abreu, para a Agricultura, não agradaram aos movimentos sociais que apoiam Dilma. O que o sr. acha dessas indicações?

Acho que é necessário respeitarmos as decisões da presidenta Dilma. Eu respeito e confio que ela fará um bom governo. Pessoas como Joaquim Levy e Kátia Abreu podem nem sempre ter a afinidade completa com o Partido dos Trabalhadores, mas conhecem profundamente as áreas para as quais foram designadas. Acredito que a presidenta Dilma saberá orientar as diretrizes que vierem a ser tomadas de acordo com o que ela acredita ser bom para o Brasil e para os objetivos maiores dela, de erradicar a pobreza e de construção de um Brasil justo.

Que lição tantos anos de vida parlamentar lhe deixaram?

Que é muito importante, como representante do povo, respeitar as pessoas. Todas aquelas com as quais você interage no parlamento, seus colegas no plenário do Senado ou das comissões, e as pessoas que lhe procuram. Eu sempre tenho por norma ouvir a todos, com atenção e respeito. E peço a cada uma das pessoas que trabalham comigo para que sempre recebam a todos os que visitam o meu gabinete com todo o respeito. Não importa se for uma alta autoridade ou um morador de rua. É importante que possamos ouvi-los e que possam ser escutados. Eu sempre tive essa diretriz, aprendi com meus pais. Mas é uma lição de vida que, como senador, sempre segui.

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