Dupla faz interferências artísticas na cidade usando estrutura dos pixels

Maria Carolina e Luca Bastolla criaram o projeto 8-Bitch, onde reproduzem figuras conhecidas do mundo dos games como Mario Bros e Pac-Man usando pastilhas ou azulejos coloridos

Por O Dia

Rio - Virando a esquina da rua dos Inválidos com a rua do Riachuelo dá para ver um fantasminha, desses personagens de videogame, fixado na parede e misturado ao caos da Lapa. Foi a primeira intervenção artística feita pela dupla Maria Carolina e Luca Bastolla nos muros da cidade. “Esse está feinho, tadinho. Foi o nosso primeiro, fizemos em fevereiro de 2014, ainda não tínhamos acertado a forma certa da colagem”, explica Maria Carolina, apontando para sua obra, já desgastada pelo tempo.

Maria e Luca%3A criadores do projeto 8-BitchReprodução

Há mais de um ano, ela e o namorado criaram o projeto 8-Bitch, onde reproduzem figuras conhecidas do mundo dos games como Mario Bros e Pac-Man usando pastilhas ou azulejos coloridos e espalham essas imagens por várias cidades do Brasil como Fortaleza, Recife, Brasília e Porto Alegre.

“É um mundo lúdico, da linguagem dos games e dos pixels, que a gente leva para a rua. A gente que faz e banca tudo. Sempre procuramos colocar em lugares de destaque. Já temos quase 50 intervenções. Usamos um material que exige dinheiro: cimento, cola, azulejo, tinta, escada, pastilha de vidro ou cerâmica. Vamos tentar buscar algumas parcerias”, aponta Maria, que também trabalha como jornalista, mas não arrisca dizer o quanto já gastou nessa brincadeira.

Os corações colocados perto do metrô de Botafogo, o Pac-Man no Aterro do Flamengo, o Toad (cogumelo colorido) no Arpoador ou o Mario Bros vestido de policial em São Paulo viram protagonistas dos inúmeros cliques de admiradores que não perdem a foto quando os encontram. “É legal ver as pessoas interagindo com as obras. Fazemos ícones que fazem as pessoas se divertirem e lembrarem de sua infância. Algumas querem tocar, outras até tentam tirar, mas agora estamos colocando eles mais no alto. Respeitamos lugares históricos e privados, mas ficamos muito tristes quando nossas artes são destruídas ou retiradas do local”, conta Luca.

Fantasminha na LapaDivulgação

O casal leva cerca de 20 minutos para acabar a obra, que já sai montada de casa. Entretanto, muitas vezes, eles ganham uma mãozinha de quem está passando pelo local na hora da finalização. Até um interno de um hospital psiquiátrico deu seu apoio moral ao ver o casal trabalhando no local onde ele vive. “Ele ficou chateado de ter que ir embora antes de a gente terminar o serviço. Sempre tem alguém para ajudar, mas, no geral, somos nós dois para carregar 40 kg de material”, justifica Maria. Com o sucesso das obras, a dupla foi convidada para participar do Art Rua, um dos maiores eventos de arte urbana do país, que acontece entre os dias 10 e 13 de setembro, no Porto Maravilha.

“A gente sonha fazer exposições também, mas queremos criar uma linha, uma temática. Muitas pessoas já quiseram comprar nossas obras, mas ainda não pensamos em fazer algo que possa ser enquadrado. Seria lindo ganhar dinheiro com isso, mas não estamos correndo atrás de clientes neste momento ou fazer algo para vender”, adianta Luca, para o azar de quem sonhou ter um de seus personagens favoritos dos games estampado bem grande em sua casa.

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