Negociar pode fazer valor da dívida baixar até 70%

Especialistas orientam os endividados a procurarem credores para apresentar proposta. Pesquisa aponta que o desemprego é o grande vilão da inadimplência

Por O Dia

Rio - O consumidor que está com a conta no vermelho deve buscar acordo com os credores para saldar os débitos, principalmente com instituições financeiras, orienta Sonia Amaro, coordenadora da Proteste Associação Brasileira de Defesa do Consumidor. Ao negociar, aponta, é possível fazer o valor do débito cair, em média, para menos da metade da dívida com redução de juros, revisão de cobranças em excesso e portabilidade de crédito.

Em alguns casos, os bancos dão descontos de até 70% para a quitação total da dívida. “A troca de um banco por outro que oferece juros mais baixos faz a dívida cair consideravelmente”, constata Sonia, referindo-se à portabilidade da dívida.

Pesquisa do IBGE aponta que no segundo trimestre deste ano 26%2C3 milhões de trabalhadores brasileiros estavam desempregados no paísCESAR ITIBERÊ/FOTOS PÚBLICAS

Para ter sucesso na empreitada, ela diz que a primeira medida é analisar a real situação do orçamento e das contas pendentes para que se possa fazer ao banco ou empresa credora uma proposta. A sugestão deverá ser cumprida.

“Entre em contato direto com os credores, negocie melhores condições de pagamento, combine o número de parcelas, qual será o dia de vencimento, juros e correção incidentes sobre o principal e seja pontual na quitação”, alerta a coordenadora da Proteste.

Mais um ponto fundamental para garantir a saída da situação de inadimplência e endividamento é se controlar para não fazer novas dívidas. “Esse é o momento de reorganização da vida financeira e fazer dívidas é realimentar um ciclo negativo”, diz Marcellus Amorim, especialista em Direito do Consumidor. “Essa dica serve também para quem está no azul e não quer se endividar”, alerta Amorim.

COMO RESOLVER?

A grande pergunta é: como sair dessa situação de inadimplência? Trocar a dívida mais alta, como a do limite do especial no banco, que cobra juros de 13,48% ao mês, em média, por outra mais baixa, como o consignado (até 2,14% ao mês) ou o penhor (2,1%), orientam especialistas. Mas, advertem que antes de tomar qualquer tipo de empréstimo é preciso saber quanto está devendo na praça.

"O primeiro passo para sair do vermelho é fazer diagnóstico preciso da situação financeira. Não tenha medo, para se livrar das dívidas é importante saber a dimensão do problema. Coloque tudo no papel, quanto você deve, há quanto tempo e para quem”, orienta Gilberto Braga, especialista em Finanças do Ibmec e da Fundação D. Cabral.

De acordo com os especialistas é importante buscar os credores para renegociar as dívidas. Outra dica é listar todas receitas — como salário, dinheiro extra, ajuda de familiares —, e depois, veja quais são as despesas fixas e as essenciais que a família tem, como aluguel, luz, gás,telefone, etc.

Por fim, anote outras despesas, como roupas, viagens e lazer. Com estas informações em mãos, é possível analisar onde é possível cortar gastos para quitar as dívidas e fazer as contas voltarem a ficar no azul.

Inadimplência atinge 59,4 milhões de brasileiros devido ao desemprego

O desemprego em alta foi apontado como o grande vilão da inadimplência, que atinge 59,4 milhões de brasileiros, de acordo com levantamento feito pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) em todas as capitais do país. 

Dos consumidores que têm contas em atraso, mais de um quarto (26%) culpa a perda do emprego, percentual que sobe para 27% quando considerado somente os indivíduos das classes C, D e E. E não era para menos. Dados divulgados no último dia 16 pelo IBGE apontam que o Brasil tem 26,3 milhões de trabalhadores desempregados no segundo trimestre.

Pesquisa aponta que público feminino deve 56% e homens 44%Agência Brasil

Para a economista-chefe da entidade, Marcela Kawauti, os dados refletem as dificuldades do atual cenário macroeconômico, com perda de dinamismo do mercado de trabalho e renda curta.

“Mesmo com a economia começando a esboçar um processo de recuperação, o brasileiro ainda não sente no bolso os efeitos práticos desse processo de melhora gradual. Apesar de inflação e juros mais baixos, a atividade econômica ainda não ganhou tração. O desemprego continua elevado e a renda do brasileiro segue deprimida”, afirma a especialista.

Mulheres estão no alto do ranking dos devedores

As mulheres são maioria entre os devedores: 56% contra 44% dos homens, aponta levantamento do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL).

Quanto à faixa etária, a concentração é mais elevada entre os adultos de 25 a 49 anos, que juntos representam 65% da amostra. Nove em cada dez (93%) inadimplentes entrevistados são das classes C, D e E, e 7% pertencem às classes A e B. A pesquisa mostra também que 75% dos inadimplentes têm, no máximo, o Segundo Grau completo.

O levantamento aponta ainda que entre os consumidores com contas em atraso, 48% não têm condições financeiras de pagar nem ao menos uma parte da dívida nos próximos três meses. O cenário é similar ao do segundo semestre do ano passado, quando o índice ficou em 46%. 

De acordo com o estudo, o valor médio do total das dívidas do brasileiro é de quase R$ 2.980, mas 43% não sabem ao certo o quanto devem. Apenas 20% das pessoas acreditam que vão pagar a dívida integralmente nos próximos três meses e 26% pretendem pagar ao menos parte do que devem.

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