Com equipe talentosa, Brasil busca recorde no Mundial de Judô

Seleção conta com astros para brilhar nos tatames

Por O Dia

Rio - A matemática do judô é simples: quanto mais estrelas você tiver, maior será sua chance de conquistar pódios. Sede da Olimpíada de 2016, não é por acaso que o Rio foi escolhido para sediar o Mundial da categoria, desta segunda-feira até o dia 1º de setembro. O fator casa deve influenciar no objetivo de quebrar o recorde de cinco medalhas conquistadas em um único Mundial, em Paris-2011. Tradição associada à qualidade de uma equipe pronta para brilhar, que tem cinco judocas liderando o ranking da Federação Internacional de Judô (FIJ) e outros tantos que sabem o gostinho de estar no topo do pódio.

Sarah Menezes é atual campeã olímpicaDivulgação

Com o corte de Tiago Camilo, caiu sobre os ombros de Luciano Corrêa, de 30 anos, ser o fio condutor de uma renovação que já dá resultados. Único brasileiro campeão mundial, ele quer repetir o feito de 2007 (outra vez na Cidade Maravilhosa) e orienta os mais jovens.

Rafael Silva (+100kg) e Felipe Kitadai (-60kg), ambos bronze em Londres, também mesclam com experiência o grupo masculino, que tem os jovens Victor Penalber, 22, líder do ranking mundial até 81kg, e Charles Chibana, 23, campeão até 66kg do Grand Slam de Moscou, em julho. Entre as mulheres, o currículo da campeã olímpica Sarah Menezes (-48kg) é referência do elenco que ainda tem o talento de Mayra Aguiar (-78kg), Rafaela Silva (-57kg) e Maria Suelen (+78kg).

“Em outras ocasiões, chegávamos aos eventos com duas ou três estrelas e nem sempre isso se transformava em medalhas. A ideia é sempre ter muitos lutadores em condição de beliscar pódios para que aumente o leque de conquistas. Esse grupo é homogêneo e qualificado”, avalia Ney Wilson, coordenador da seleção brasileira.

Desafio inédito

Chegar ao Mundial com cinco atletas no topo do ranking mundial é um desafio inédito para o Brasil. Mas, a julgar por resultados recentes, o momento é favorável e não soa como pressão para alguns deles. Apenas aumenta a responsabilidade.

“De acordo com o ranking e com as competições, fica claro que os resultados estão vindo. Todo mundo nesse mundial tem condições de subir no pódio. É ruim quando só tem um ou dois atletas ali, fica chato para a equipe. Ainda bem que hoje o Brasil, a equipe masculina e feminina, está bem ranqueado, com bons resultados. O grupo está firme”, analisou Sarah Menezes.

Alvo é a melhor marca de olho em 2016

Dois momentos na história do Mundial de judô servem de parâmetro para a Seleção projetar o desempenho na edição do Rio e vislumbrar a participação nos Jogos de 2016. O segundo lugar no quadro de medalhas de 2007, com três ouros e um terceiro lugar; e o oitavo em 2011, com três pratas e três bronzes, são os melhores resultados do esporte. Mas a concorrência de franceses, russos, países asiáticos e do leste europeu promete ser entrave para a quebra dessas marcas.

“São várias as pedras no caminho. Na minha categoria, por exemplo (-60kg), os principais rivais são da Georgia, um japonês, um coreano e um armênio. Atletas do Leste Europeu e a Ásia são duros demais”, apontou Felipe Kitadai.

A opinião dos judocas e comissão técnica é que o Mundial tende a ser mais difícil do que os Jogos do Rio e do que fora em Londres. Portanto, um bom desempenho agora credencia o atleta a brilhar daqui a três anos.

“É um torneio que abre espaço para a surpresa, por ter mais atletas”, contou Ney Wilson, completando.

“O principal país na Olimpíada foi a Rússia, principalmente no masculino. Temos o Japão, que é forte no feminino. Tem a França, a Mongólia. Tudo pode acontecer”, frisou.

Flávio Canto confia em inédito ouro por equipes

Além das conquistas individuais no Mundial, o ouro inédito por equipes é desejado pelos judocas. Entre os homens, são quatro pratas e dois bronzes. No feminino, o Brasil conquistou apenas um terceiro lugar. O topo do pódio escapou em 2007, também na Cidade Maravilhosa, mas o otimismo está em alta por quem fez parte daquela campanha. Animado, Flavio Canto espera vibrar com o fim do jejum.

“Seria a realização, pois é uma medalha que me escapou. Eles têm condições de entrar para a história”, disse.

Barbara Timo (-70kg), Mariana Silva (-63kg), Marcelo Contini (-73kg), Mauro Moura (-81kg), Eduardo Bettoni (-90kg) e David Moura (+100kg) estão prontos para guerra.

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