Contra-ataque: Carência e saudosismo na Seleção

Convocação traz velhas discussões sobre qualidade do grupo e do futebol atual

Por O Dia

Rio - Algumas vozes de jogadores e torcedores da velha guarda se levantam para reclamar dos critérios de Felipão. De saída, dizem que não há mais um Gérson, um Rivellino ou um Didi. Depois, criticam que não se tenha dado chance a Ganso e até mesmo a Ronaldinho. Uma coisa é a nostalgia saudável que embala bem a vida com lembranças memoráveis e referenciais. Outra é a que considera que tudo parou no tempo e hoje só a mediocridade impera.

Não é assim. Tudo bem que as seleções de 58 e 70 eram evidentemente superiores às de 94 e 2002, pragmáticas e que se valeram de ótima defesa e de jogadores como Bebeto, Romário e Ronaldo para decidir na frente. Mas, dentro dos atuais parâmetros, é possível formar um belo time com estilo agradável — quem não se recorda das excelentes exibições na Copa das Confederações? Jogadores como Neymar, Paulinho, Oscar e Bernard podem proporcionar momentos do mais puro futebol-arte.Ganso estaria entre eles se tivesse se cuidado e mantido uma forma razoável. Não pode reclamar de nada e nem titular é mais no São Paulo. Felipão formou o melhor grupo possível e o resto é papo furado e chororô.

Felipão convocou os seus 23 jogadores para a CopaCarlos Moraes / Agência O Dia

OS CAMPEÕES

O jogo das quartas da Libertadores entre os campeões Cruzeiro e San Lorenzo foi razoável, muito brigado mas com raros lances de gol. O empate seria mais justo, só que Dedé deu um dos seus habituais vacilos no lance do gol de Gentiletti de cabeça. Marcelo errou em não começar com Dagoberto e Borges, jogadores agressivos e velozes. Sua timidez custou caro. Ainda dá para o Cruzeiro, mas não ter feito gol fora pode complicar, pois o contra-ataque argentino é perigoso.

A TRADIÇÃO

Os botafoguenses, em época de vacas magras, festejam a convocação de Jefferson, que mantém a tradição de liderança do clube na sua presença nas Seleções. Há até a superstição de que, com um jogador alvinegro, tudo corre bem. Simples superstição que alimenta o folclore do futebol. No caso de Jefferson, ele abriu o seu caminho com talento em um time problemático e salvou jogos impossíveis. Não fosse ele, não haveria títulos cariocas e vaga na Libertadores.

SEM ALEGRIA

Nenhum torcedor vascaíno pode ter ficado alegre com essa classificação na Copa do Brasil. Contra o Resende já tinha sido devagar e, agora, vitória sofrida na Paraíba e melancólico empate em casa contra o Treze mostram claramente que o time está carente e continua de cabeça baixa pelas suas dificuldades. Que falha foi aquela do Luan? Desse jeito, não haverá chance na Copa do Brasil e a única possibilidade será um lugar entre os quatro primeiros na Série B.

O PASSADO

Há cerca de dois anos o cinema iraniano brilhava com ‘A separação’ de Asghar Farhadi e acabou ganhando muitos prêmios. Agora, com enfoque um pouco diferente, cenário parisiense e a atriz francesa Bérénice Bejo, Fahradi volta com ‘O passado’ sobre o reencontro de um casal separado há anos. Boas resenhas e promessa de cinema de primeira. Para quem quer algo mais leve a pedida é a comédia francesa ‘Eu, mamãe e os meninos’ de Guillaume Gallienne.

ESSA BRIGA POLÍTICA NO FLUMINENSE NÃO TEM FIM

É impressionante, mas a crise política do Fluminense, apesar dos danos que já causou ao clube, não acaba e vai ao longo do tempo derrubando treinadores e dirigentes.Agora foi a vez de Ricardo Tenório jogar a toalha, provocar uma cisão e, ao mesmo tempo, uma composição de forças. Para apagar o incêndio, a volta de Paulo Angioni. Mas ele mesmo já foi vítima dessa rede de intrigas tricolor em que clube e patrocinador vivem relação de amor e ódio.

Últimas de Esporte