Outro Fla-Flu para lembrar um gênio

Clássico será marcado por diversos personagens curiosos

Por O Dia

Rio - Se Nelson Rodrigues estivesse vivo, não lhe faltariam personagens curiosos para o Fla x Flu de logo mais. Ele falaria da tristeza de Cavalieri pela não convocação, da sua capacidade de superação ou até da ausência de um quase ídolo recente da galera do Flamengo — o Brocador. Não faltariam também odes a Walter, que poderia surgir chispando do banco para, quem sabe, entrar e decidir o clássico. Talvez lembrasse até do preço dos ingressos capaz de criar uma estranha inversão entre a elite e o povão. Mas, para não fugir dos artistas já garantidos, Nelson começaria especulando sobre o vencedor na luta pela armação do jogo. E aí seria uma briga boa entre dois gringos — Conca e Mugni, com evidente vantagem para Conca mas, quem sabe não seria Mugni, em ascensão, a surpresa do clássico? E, como sempre, na questão do homem-gol, dois ótimos personagens: Fred e Alecsandro. Nelson, com sutileza, não deixaria escapar a evidente superioridade tricolor. Mas sempre com ressalvas místicas ou vagamente psicológicas – não estaria Fred com a cabeça na Seleção? Esse Fla x Flu, como tantos, seria prato cheio para um gênio só plenamente reconhecido depois que se foi.

Meio-termo

O Fluminense consegue encher o Maracanã com preços reduzidos e faz a festa da galera. O Flamengo, clube mais popular do país, coloca o preço lá em cima e diz que fatura mais no valor do que na quantidade. O tricolor é muito mais simpático, mas tudo indica que a solução está no meio-termo e os preços cobrados no Fla x Flu podem ser um bom parâmetro. Faturar pouco enchendo o estádio não é a solução, mas não se pode também marginalizar a maior parte de uma torcida popular e fiel.

Agora, vai?

O novo vice de futebol do Flu, Mário Bittencourt, garante que vai conseguir uma trégua entre Siemsen e Celso Barros, mas só vendo mesmo para crer. É difícil até entender como, ao longo de tanto tempo, o clube, com vários dirigentes, e a patrocinadora, não se entendem e cada lado quer impor um nome ou um projeto. Angioni chegou como homem forte do futebol e conciliador. Experiência não lhe falta, mas ele sabe, melhor do que ninguém, que vai mexer em caixa de marimbondos

O cemitério

Com uma pitada de humor negro, se poderia dizer que já dava para inaugurar um cemitério especial com os bravos operários que morreram na construção dos estádios da Copa. As causas são variadas, mas faltaram medidas adequadas de segurança e a pressa por conta dos atrasos colaborou. Um exemplo de como não se deve organizar uma Copa. O Brasil está sendo reprovado no seu esquema para o Mundial e, fora do esperado resultado esportivo, não haverá legado

O pântano

O lago em que, há poucos anos, Ganso e Pato nadavam tranquilamente sob os olhares gerais de admiração, virou pântano. Na melhor época do Santos havia até quem fizesse a previsão de que Ganso superaria Neymar no futuro. Deu no que deu e Ganso se perdeu na lentidão, presunção e falta de foco. Já Pato é um maior enigma porque nada, aparentemente, atrapalhou o seu futebol. Ele ganhou apoio dos treinadores, sempre pareceu enxuto mas a sua bola murchou.

Haverá espaço para Vanderlei?

Luxemburgo é outro que, às vezes, desafia a lógica e o senso comum. Como pode um treinador vitorioso em tantos clubes, que já foi da Seleção, ter passado por uma sucessão de fracassos em vários clubes e ser agora cogitado de forma incerta por um Palmeiras desesperado? Nem há confiança no investimento e nem Vanderlei parece entusiasmado com um inglório desafio, cercado por cabeças de bagre e politicagem.

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