Bomba em time alemão foi colocada por ganância

Em uma reviravolta, polícia prende eletricista e descobre plano para enriquecer com compra e venda de ações do Borussia Dortmund. Atentado feriu zagueiro

Por O Dia

Rio - O atentado a bomba contra o Borussia Dortmund, dia 11, horas antes de partida da Liga dos Campeões da Europa contra o Monaco, nada teve a ver com o extremismo islâmico. Segundo a Promotoria da Alemanha, saiu da mente de um alemão com cidadania russa, preso ontem, um dos mais engenhosos e cruéis planos dos últimos anos. A motivação? Ganância. Com um investimento de R$ 135 mil em ações do time, o eletricista Sergej W., 28 anos, esperava lucro cem vezes maior. Para tal, trataria de derrubar os papéis do clube — e a ideia foi explodir o ônibus da equipe. O zagueiro Marc Bartra teve de operar o braço.

Traseira do ônibus do Borussia ficou destruída pelos estilhaçosEFE/FRIEDEMANN VOGEL/11.04.17

Os investigadores se surpreenderam com a frieza do eletricista, pego em casa, em Rotemburgo, a 450 km do local do crime. Antes mesmo da confirmação da data do jogo de ida, Sergej reservara dois períodos no Hotel L’Arrivée, tradicionalmente usado nas concentrações do Borussia. Acabou conseguindo hospedar-se um andar acima do dos quartos dos atletas, com vista para a rua. Lá fora, segundo os promotores, armara três explosivos. O material usado ainda não foi identificado, mas todas as bombas continham estilhaços, que danificaram a parte de trás do coletivo da equipe.
Depois do ataque, enquanto os hóspedes corriam, assustados, Sergej sentou-se calmamente no restaurante do L’Arrivée e pediu um filé. Abriu seu computador e começou a negociar ações do Borussia.

A Promotoria explicou que, do restaurante, Sergej comprou 15.000 direitos de venda de ações do time e planejava especular com sofisticados instrumentos financeiros, os chamados derivados, aproveitando-se de uma previsível queda do preço das ações do clube após o atentado. O suspeito adquiriu três direitos de venda, o pacote mais importante disponível, com prazo máximo fixado para 17 de junho.

O relato da Promotoria indica que Sergej contraíra, dia 3, crédito de 40 mil euros (R$ 135 mil). O suspeito pensou que após o ataque o valor do clube cairia e ele enriqueceria após ter assegurado a venda de seus títulos a um preço fixado anteriormente. Quanto mais caíssem as ações do Borussia, mais dinheiro o criminoso ganharia, que havia assegurado de antemão um certo preço de venda. De acordo com os cálculos do jornal Bild, Sergej poderia vir a ganhar 3,9 milhões de euros (13 milhões de reais).

A imprensa alemã detalha que o suspeito, que é funcionário de uma central de energia, realizou a transação através do banco Comdirect, que alertou a polícia sobre movimentos suspeitos. 


Últimas de _legado_Mundo e Ciência