Doleiro: 'Lula foi pressionado'

Em depoimento à Justiça, Alberto Youssef revela que políticos trancaram a pauta do Congresso

Por O Dia

Brasília - Em depoimento à Justiça, o doleiro Alberto Youssef revelou que o ex-presidente Lula teria sido pressionado por políticos aliados para nomear Paulo Roberto Costa, diretor de Abastecimento da Petrobras. “Tenho conhecimento que, para que o Paulo Roberto Costa assumisse o posto, esses agentes trancaram a pauta no Congresso por 90 dias. Na época, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficou louco e teve de ceder e empossar Paulo Roberto Costa.”

Também em depoimento anteontem ao juiz Sérgio Moro, da Justiça Federal do Paraná, o ex-diretor da Petrobras disse que o esquema de corrupção na Diretoria de Serviços da estatal era operado diretamente pelo PT. “Em relação à Diretoria de Serviços, todos sabiam, tinha percentual desses contratos da área de Abastecimento: dos 3%, 2% eram para atender ao PT. Outras diretorias, como Gás e Energia e Exploração e Produção também eram do PT. Tinha PT na diretoria de Exploração e Produção, PT na diretoria de Gás e Energia e PT na área de Serviços. Nesse caso, os 3% ficavam diretamente para o PT e não tinha participação do PP. O PP era só na área de Abastecimento”, disse Costa.

Youssef se mostrou surpreso com a informação de que a Diretoria de Serviços, operada pelo tesoureiro do PT, João Vaccari, recebia um percentual maior. “Se ele (Paulo Roberto Costa) está dizendo que era 2%, ele sabe mais do que eu.” Youssef afirmou que, num contrato de R$ 3,4 bilhões, R$ 34 milhões iam para o PP. A cada licitação da Petrobras, as empresas entregavam a Costa uma lista das empresas que participariam e quem seria a vencedora.

Indagado pelo juiz Sérgio Moro sobre quem distribuía o dinheiro dentro da Diretoria de Serviços, Costa afirmou: “Dentro do PT, a ligação era com o tesoureiro do partido, João Vaccari. No PMDB, na diretoria internacional, o nome que fazia a articulação toda chama-se Fernando Soares, conhecido Fernando Baiano.”

Ao ser perguntado se também recebia recursos desviados, afirmou: “Sim. De 1% para o PP, em média, dependendo do contrato, 60% iam para o partido, 20% para despesas, como notas fiscais e despesas para envio, e 20% restantes eram repassados da seguinte forma: 70% para mim e 30% para o Janene ou Youssef. Eu recebia em espécie na minha casa, num shopping center ou no escritório. Normalmente, Youssef ou Janene eram quem levavam o dinheiro.”

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