Coluna do Servidor: Reposição das aulas gera divergências

'A nossa lógica não é de punição dos professores. Mas precisamos resolver a vida dos alunos', diz Risolia

Por O Dia

Rio - Professores de escolas da rede estadual, cujo cronograma de reposição das aulas inclui janeiro, vão ter descontos no pagamento, caso não compareçam ao trabalhar no período. A questão tem provocado divergências entre o Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação (Sepe) e a Secretaria Estadual de Educação.

No acordo entre a entidade e o órgão, intermediado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux, em outubro do ano passado, ficou decidido que cada escola faria o seu próprio calendário de reposição, levando em conta necessidades específicas.

Secretário Estadual de Educação Wilson RisoliaDivulgação

Algumas direções decidiram repor em janeiro, em função do grande número de aulas perdidas. No entanto, o Sepe alega que todo o conteúdo foi ensinado até o fim de dezembro, em aulas nos contraturnos e aos sábados.
Segundo a entidade, não haveria necessidade de os docentes trabalharem este mês, até porque, esse é o único período em que professores podem tirar férias. “Garantimos os conteúdos e a qualidade da Educação. Seria desumano trabalharmos em janeiro e emendar, em seguida, o próximo ano letivo”, disse uma das coordenadoras do sindicato, Ivanete Conceição da Silva.

O secretário estadual de Educação, Wilson Risolia, por sua vez, afirma que o acordo com o STF prevê que os grevistas devem compensar não só os conteúdos perdidos, mas também os dias parados. Ele ressalta que a reposição precisa ser feita até o próximo dia 18, para não entrar no ano letivo de 2014.

“Era impossível fazer cronograma genérico para toda a rede, pois cada escola teve números diferentes de professores grevistas e aulas perdidas.

Por isso, quem faz a programação são os diretores. Algumas escolas até conseguiram repor todo o conteúdo ano passado, mas outras tiveram aulas interrompidas por muito tempo. Nesses casos, não é possível ensinar toda a matéria usando apenas os tempos vagos. É preciso ter aulas em janeiro”, explica Risolia.

Caso a escola tenha programado as aulas até este mês, os professores que não forem trabalhar receberão falta e serão descontados. “A lógica não é da punição dos grevistas. A questão é que precisamos resolver a vida dos alunos que não tiveram aula. Não é razoável pensar que determinados conteúdos podem ser repostos em tão pouco tempo”, avalia.

Coordenadora do Sepe, Marta Moraes afirma que a questão tem gerado conflitos entre professores e diretores. “A categoria está muito insatisfeita”, diz.

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