Penhor surge como alternativa para fuga dos juros altos

A procura no estado acompanha o comportamento nacional que no mesmo mês cresceu 24%

Por O Dia

Rio - Administrar as contas nesses tempos de crise econômica e juros estratosféricas, tem exigido cada vez mais habilidade do brasileiro. Uma alternativa de crédito barato e facilitado é o penhor de joias oferecido exclusivamente pela Caixa Econômica Federal. Com uma taxa de 1,93% de juros ao mês, colocar uma joia no “prego” se torna solução prática para quem está no aperto.

De acordo com dados divulgados pela CEF, em junho deste ano, último dado disponibilizado pelo banco, houve um aumento de 25% no volume de contratado no penhor no Rio de Janeiro. A procura no estado acompanha o comportamento nacional, que no mesmo mês cresceu 24%.

A procura no estado acompanha o comportamento nacional%2C que no mesmo mês cresceu 24%. Agência O Dia

Segundo superintendente regional da CEF, José Domingos Corrêa Martins, a média dos contratos no penhor gira em torno de R$ 1.300, “um valor acessível”, diz, informando ainda que o índice de inadimplência do empréstimo é de apenas 1%. “Há duas modalidades de contratação do crédito, e o pagamento único ao final do prazo é a mais comum”, conta.

Miguel de Oliveira, diretor da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), atribui o aumento da procura pelo penhor à redução de renda das famílias e às dificuldades de acesso ao crédito. “Os bancos têm dificultado a liberação de crédito devido o alto índice de inadimplência atual. Como o penhor avalia somente a joia, não o cliente, o serviço se torna mais acessível”, explica o diretor da Anefac.

Com o aumento recorrente do dólar, é comum que o preço do ouro suba em paralelo, explica Oliveira. Segundo o diretor, em relação ao mês de julho, o ouro teve uma valorização de 0,04%, 29,69% ao ano e 42,16% nos últimos 12 meses.

DE MÃE PARA FILHA

Deuzimar Serra, 59, herdou de sua mãe o hábito de penhorar as joias para conseguir crédito no banco. Ela conta que há alguns anos era mais vantajoso. “Mas, nesse momento crítico da economia que estamos vivendo, o penhor é uma solução”, diz.

As linhas de créditoArte O Dia

Mas o penhor, se mal utilizado, pode ser perigoso, alertam especialistas. Para Daniel Sousa, professor de economia do Ibmec, é preciso ter consciência na hora de recorrer ao penhor. “O ideal é utilizar o recurso para amortizar uma dívida e não para a compra de um outro bem”, orienta. Ele explica que o penhor tem juros baixos pois a joia penhorada se torna uma garantia real ao banco.

ENTENDA O PENHOR

O QUE É

É uma linha de crédito ágil onde o cliente entrega o bem, como garantia, e pega o dinheiro na hora, sem análise cadastral ou avalista. Depois, basta pagar o empréstimo e pegar de volta o objeto penhorado.

O QUE PENHORAR

Além de joias em ouro, o cliente pode penhorar metais nobres, diamantes, canetas e relógios originais de valor ou pratarias autênticas.

DOCUMENTOS

Os documentos necessários para penhorar um objeto são: carteira de identidade, CPF regular na Receita Federal e comprovante de residência.

AVALIAÇÃO

A Caixa vai avaliar o seu bem e lhe informar na hora o valor. Se você aceitar, recebe o dinheiro na hora, descontado antecipadamente os juros do período contratado.

TIPOS DE CONTRATAÇÃO

O contrato pode ser feito de duas formas: em parcela única, com vencimento em até 180 dias, ou de forma parcelada, em até 60 meses. Na modalidade de parcela única o contrato pode ser renovado.

ACERTO DE CONTAS

Ao fim do prazo do contrato, se quiser retomar o bem, você tem que pagar o valor total recebido. Se quiser continuar com o financiamento, pode pagar apenas o juro do mês seguinte e renovar o contrato.

INADIMPLÊNCIA

Caso o cliente não consiga quitar a contratação, a joia penhorada irá a leilão.

Reportagem de Paola Lucas

Últimas de _legado_Economia