Jogo de tabuleiro e coletivo estimulam coordenação motora e integração infantil

Especialistas ressaltam que é fundamental a participação dos pais

Por O Dia

Rio - Jogos de tabuleiro, pique-esconde, queimado, futebol, bonecas, bolas de gude, casinha. Qual criança não gosta de brincar? Mas, com a correria do cotidiano, ela fica, por vezes, impedida de ter esse tempo livre. Segundo especialistas, reservar um momento para atividades lúdicas é fundamental para o desenvolvimento da coordenação motora e integração dos pequenos com as pessoas.

Este assunto foi tema recentemente do estudo ‘Dividir para somar’, da antropóloga Adriana Freidmann, em parceria com a empresa Bauducco. Durante o levantamento, a pesquisadora destacou que as brincadeiras permitem que as crianças descubram o “mundo” à sua volta. Com isso, a especialista diz que os pequenos também compreendem os seus próprios sentimentos.

Elvani Marques leva a filha Lara%2C de 8 anos%2C para passear em praças e praias com a irmã AlessandraMaira Coelho / Divulgação

A psicóloga Ana Maria Falcão explica que, a partir de jogos, as crianças lidam com situações de dificuldade, como a perda e o fracasso. “Com as brincadeiras, seja de tabuleiro ou atividades físicas, como queimado e amarelinha, elas aprendem a negociar e respeitar as regras”, afirma a professora da Unicamp.

Para Ana, o ideal é que as atividades lúdicas sejam introduzidas também nas escolas, para ajudar no aprendizado dos alunos. E este é o método adotado pela professora Margarete Torres, do Colégio Costa Ferreira, durante as suas aulas para estudantes entre 6 e 8 anos. Ela costuma utilizar as brincadeiras após ensinar um conteúdo novo, principalmente de Matemática. “As crianças depois dão um bom resultado nas notas”, acrescenta.

Outro benefício dos jogos seria o desenvolvimento do ciclo motor do organismo e da afetividade. A pediatra Leda de Aquino conta que há atividades para cada faixa etária. No caso de quem tem menos de 9 meses, por exemplo, o ideal é fazer atividades de reconhecimento das formas, como cubos e bolas, exemplifica Leda. “A criança começa a brincar desde quando nasce”, afirma a integrante da diretoria da Sociedade Brasileira de Pediatria

Os especialistas ressaltam que é fundamental a participação dos pais. “A interação com os adultos aumenta o ciclo afetivo, faz com que deixem os eletrônicos de lado”, diz o pediatra Ricardo Lopes, da Casa de Saúde São José.


Aprendizado ao ar livre

O aprendizado pode se tornar mais agradável ainda se for feito ao ar livre, segundo a psicóloga Ana Maria Falcão. “As crianças têm mais oportunidade de inventar situações e outras brincadeiras, além de conseguir também brincar sozinhas ou com os pais”, acrescenta a especialista.

Para ajudar no aprendizado da filha, Lara, de 8 anos, a gerente de loja Elvani Marques, de 48 anos, costuma levá-la para passear em praças e praias com a família, principalmente com a irmã Alessandra Almeida, de 22 anos. Ela diz ainda que acrescenta jogos durante os deveres de Matemática e Inglês, para que a menina entenda melhor as matérias. “O método é eficiente. Acredito que o lúdico ajuda a compreender melhor os aprendizados e a desenvolver o raciocínio. Ela interage mais nas salas de aula”, conta Elvani.

Reportagem da estagiária Gabriela Mattos

Últimas de _legado_Mundo e Ciência