Jair Bolsonaro: Cotas da discórdia

A proposta presidencial que destina 20% das vagas para negros em concurso público mostra a face política de um governo que visa a se manter no poder dividindo seu povo

Por O Dia

Rio - A proposta presidencial que destina 20% das vagas para negros em concurso público mostra a face política de um governo que visa a se manter no poder dividindo seu povo. Muitos cristãos, ou até mesmo ateus, que veem na família tradicional a base de uma sociedade forte, criticaram a decisão do Conselho Federal de Justiça escudando-se no Artigo 226 da Constituição, que reconhece como legal somente a união civil de pessoas do mesmo sexo. Os constitucionalistas de ontem são os mesmos que hoje apoiam o PL das cotas fingindo não existir, na Carta, o Artigo 5º, onde se lê que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza.

Para católicos e evangélicos, a Bíblia os fazem iguais perante Deus. Apoiar este projeto é o mesmo que admitir que para entrar no céu há critérios que estejam em desacordo com a fé ou comportamento de cada um aqui na Terra. Morgan Freeman, com cinco palavras, deu uma aula de como combater o racismo: “Parar de falar sobre ele.” Quando se criou a cota para universidades, o principal argumento de seus defensores era o de que os cotistas teriam condições de acompanhar, em pé de igualdade, os demais alunos aprovados por mérito. Hoje se contradizem e sem querer provam ser quase impossível que, no futuro, sejam aprovados em bom concurso ante a falta de sólida base educacional. Apoiam o PL com outros falaciosos argumentos que, além de promover o ódio racial, escondem a péssima qualidade do ensino público patrocinado pelos últimos governos.

Em debate na Comissão de Direitos Humanos, perguntei: “Se fosse colocada na porta de um gabinete uma placa com os dizeres ‘Contrato assessores brancos’, poderia ser enquadrado na Lei do Racismo tal deputado?” Obviamente que sim, responderam. Contudo, como se aprovou emenda no sentido de que as cotas fossem estendidas aos comissionados, poderia qualquer deputado que tivesse escolhido mais brancos, nordestinos ou amarelos para servi-lo, para cumprir esta possível futura lei ter que anexar na porta ‘Contrato assessores negros’? E aí? Isto pode? Não é também racismo?

Apresentei, em 2006, projeto de lei que reservava 50% das cadeiras da Câmara dos Deputados para afrodescendentes e tive o cuidado de escrever na justificativa que “por questão de coerência votaria contra o meu próprio projeto” e concluí dizendo que deveríamos dar o exemplo nestas questões de cotas, tão em voga na época. Meu PL passou por duas relatorias petistas sem receber qualquer parecer, ou seja, o exemplo nunca serviu de parâmetro à maioria daquela Comissão ou do Congresso.

Nossa educação é reconhecida como uma da piores do mundo, onde 30 milhões de alunos do Ensino Fundamental são diuturnamente ‘envenenados’ por ideologias pregando luta de classes, ensinando que capitalismo é o inferno, e socialismo, o paraíso. As cotas nos dividirá. Termino perguntando se minha filha menor poderá ser beneficiada no futuro com a nova lei de cotas e, aos que por acaso responderem “não”, poderia acusá-los de racistas, já que o seu avô é tratado, por toda sua família, de “Paulo Negão”.

Deputado federal pelo PP

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