Wilson Diniz: A Lei dos Marqueteiros

'Little boy’ de Campos, o deputado Anthony Garotinho detona bombas contra os inimigos que disputam a corrida sucessória ao governo do estado

Por O Dia

Rio - 'Little boy’ de Campos, o deputado Anthony Garotinho detona bombas contra os inimigos que disputam a corrida sucessória ao governo do estado. Deflagra a campanha em estilo semelhante ao dos pilotos japonês suicidas da Segunda Guerra Mundial — os camicazes —, que carregavam explosivos nos aviões para implodir os navios da base aliada.

Seu alvo continua sendo o senador Lindbergh Farias e o PT — o “partido da boquinha”. No seu blog, afirmou na última semana que o senador e seu grupo político praticam “estelionato eleitoral”. No front para ataque, incluiu a Rede Globo, após a revista ‘Época’ noticiar que ele e o ex-chefe de Polícia Civil Álvaro Lins boicotam as UPPs. Demarca as fronteiras do território de Cabral para inibir a ascensão de Pezão como forte candidato no segundo turno. Enfim, declara guerra política mortal.

‘Little Boy’ erra em partir para um ambiente de guerra, isolando-se na luta solitária, sem alianças com partidos de peso eleitoral, e contra os meios de comunicação para chegar ao Palácio Guanabara. Sua saga parece a fábula bíblica de Davi contra Golias, com chances reduzidas de se concretizar.

Contrariando a Lei dos Marqueteiros — “quem bate não leva” —, ele esquece que Lula ganhou a primeira eleição presidencial com a imagem criada pelo Duda Mendonça, do ‘Lulinha paz e amor’ e a ‘Carta ao Povo Brasileiro’. Estudos e pesquisas qualitativas utilizando recursos científicos da neurociência comprovam que debates entre candidatos pautados em agressões pessoais causam repulsa nos eleitores, diagnosticada por sensores de alta tecnologia acoplados ao corpo do pesquisado. Garotinho decola como uma nave ao léu.

O eleitorado do estado espera que os candidatos façam suas campanhas mostrando pautas de governos propositivas. A pergunta é: por que não se debate o fracasso dos indicadores da Educação no Ensino Básico das escolas municipais e estaduais? Quais as propostas para incluir as crianças acima de 3 anos de idade nas escolas públicas? Como evitar a evasão escolar?

Quando a inclusão digital chegará a todas as escolas públicas? E o debate sobre o bullying...?
Cabe aos marqueteiros não deixar sua ‘lei’ ser revogada. Como afirmou Jacques Séquéla, marqueteiro de Mitterrand: “Não diga para minha mãe que sou marqueteiro, ela pensa que sou pianista de Bordel”.

Economista e analista político

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