Perícia recebe ossada que família crê ser de Amarildo

Fragmentos de corpo achados em Resende são encaminhados ao Instituto Carlos Éboli

Por O Dia

Rio - Parte dos restos mortais de um corpo que a Polícia Civil investiga se é o do pedreiro Amarildo de Souza, de 47 anos, foram encaminhados ontem pela 89ª DP (Resende) ao Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE). Ele sumiu em 14 de julho, após ter sido levado para ‘averiguações’ na sede da Unidade de Polícia Pacificadora da Rocinha, em São Conrado, onde morava com a família. Cinco policiais que eram lotados na UPP são investigados pelo desaparecimento.

Segundo agentes que investigam o caso, o material achado em Resende, no Sul Fluminense, como revelou nesta sexta-feira O DIA, será confrontado com amostras de sangue já recolhidas de parentes de Amarildo. O laudo será divulgado até a próxima quinta-feira, mas deve ficar pronto antes, em virtude da repercussão do caso, que ganhou as páginas de vários jornais do mundo. Dois fragmentos de ossos, que seriam dos braços da vítima, foram encaminhados para análises. Eles estavam num terreno do bairro Monet, domingo. A área é de classe média do município.

Galões abandonados em terreno no bairro Monet%2C em Resende%3A local usado para desovar e queimar corposEstefan Radovicz / Agência O Dia

Crânio pendurado

Nesta sexta-feira, O DIA esteve no local onde a vítima, que supostamente seria Amarildo, teria sido torturada e morta. O lugar, de acordo com moradores, é ponto de desova de corpos que, após incendiados, são jogados no Rio Paraíba do Sul, que passa ao lado. Do outro lado há a linha férrea.

“O cenário é assustador. Estou indo embora daqui” disse o morador R., de 48 anos.
No último domingo, o corpo carbonizado de um homem foi encontrado por um morador que passeava com seu cão pela região. O crânio da vítima estava pendurado numa árvore pelo couro cabeludo, e o restante dos ossos, espalhado no chão. Na quinta-feira, o titular da Delegacia Antissequestro (DAS), Cláudio Gois, solicitou fotos para investigações.

Mulher acredita que o corpo é do pedreiro

Para Elizabete Gomes, o encontro da ossada em Resende pode significar o fim de uma espera angustiante. Ela tem esperanças de que o corpo carbonizado seja o de seu marido, desaparecido desde 14 de julho.

“Passei o dia inteiro olhando a foto do jornal, tentando reconhecer. A gente espera tanto por uma notícia, que fica até na dúvida no primeiro momento. Mas o cabelo é o mesmo do Amarildo, curto e encaracolado. A família toda achou a mesma coisa”, afirmou Elizabete.

Dois filhos do casal, de 13 e 20 anos, cederam material biológico para exame de DNA logo após o desaparecimento. O confronto genético com a ossada encontrada deve ser feito nos próximos dias. Apesar de a polícia ainda não ter provas periciais de que a ossada é de Amarildo, a mulher do pedreiro disse acreditar que o marido foi encontrado, após a revelação do DIA.

“Dentro do meu coração, acho que é muito parecido. Se acharem pelo menos os ossos, agradeço. Quero fazer um enterro digno, como ele merece”.

A mulher e os filhos de Amarildo no último Dia dos Pais%2C na Rocinha%3A parentes já cederam material genéticoAlessandro Costa / Agência O Dia

Relatório da DH é entregue a promotor

?A possibilidade do corpo ser de Amarildo também mobilizou ontem o Ministério Público. Responsável por propor à Justiça a ação penal que pode responsabilizar os investigados pelo desaparecimento do pedreiro, o promotor Homero das Neves Freitas Filho destaca que o exame de DNA é imprescindível.

“Não podemos descartar nenhuma hipótese sobre o caso”, analisou. Ontem, o promotor recebeu o relatório final da Divisão de Homicídios. O desfecho deve ser anunciado na terça-feira.

Chefe da Polícia Civil reclama da demora

Ontem, a chefe de Polícia Civil, Martha Rocha, cobrou explicações sobre a demora no envio de fragmentos da 89ª DP (Resende) para o Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE).
“Estamos fazendo o possível num município em que temos poucos recursos”, argumentou um policial da 89ª DP.

Moradores do Monet reclamam da insegurança no local: “A gente vê, principalmente à noite, fogo em vários pontos desse matagal. Não tenho dúvidas que crimes bárbaros são praticados com frequência por aqui”, afirmou X., de 47 anos, que diz ver atrocidades da cobertura do prédio onde mora.

Colaboraram Adriana Cruz e Vania Cunha

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