Brigas entre bate-bolas provocam duas mortes

Grupos de mascarados são acusados de assaltos e arrastão. Um dos mortos era filho de músico do grupo de pagode Pique Novo

Por O Dia

Rio - Tumultos e confrontos provocados por grupos que se vestem de bate-bola (ou clóvis) causaram a morte de dois jovens — um deles filho de um músico do grupo de pagode Pique Novo — e deixaram pelo menos sete pessoas feridas a tiros no Centro e Zona Norte do Rio e na Baixada Fluminense, na noite de segunda-feira. Os bate-bolas também são acusados de praticar dezenas de assaltos em diversos pontos e até um arrastão no metrô. Quatro foliões pertencentes a esse tipo de agremiação foram presos em Nilópolis.

Quatro suspeitos de participarem de tiroteio provocado por bate-bolas foram presos em NilópolisSilvano Xavier

A primeira morte ocorreu em Bento Ribeiro. De acordo com policiais do 9º BPM (Rocha Miranda), uma festa de Carnaval era realizada em uma pracinha da Rua Marina, com cerca de 200 foliões, entre eles, um grupo de clóvis. Por volta das 21h30, um outro grupo, com aproximadamente cem bate-bolas, chegou ao local, iniciando um conflito. Na confusão, houve disparos e correria. Gabriel Ferreira dos Santos, de 17 anos, foi baleado no peito e não resistiu.

No mesmo local, outras quatro pessoas foram baleadas — entre elas, um menino de 13 anos — e atendidas no Hospital Estadual Carlos Chagas, em Marechal Hermes. Até no final da tarde de ontem, o único que permanecia internado era Clayton dos Santos, de 22 anos, atingido na perna esquerda.

Às 16h52, a Polícia Civil informou que o corpo de Gabriel já havia sido necropsiado e liberado, mas a família ainda providenciava o enterro. A PM informou que as armas dos policiais que estavam na pracinha foram entregues à Delegacia de Homicídios para perícia. Eles negam terem feito os disparos,

Em Nilópolis, Marlon Augusto Fernando Luciano, 19, filho do percussionista e vocalista do Pique Novo Edson Cigano, morreu com um tiro no abdômen quando integrava um grupo de bate-bolas que brincava o Carnaval no distrito de Olinda. De acordo com testemunhas, um tiroteio começou quando outro grupo de clóvis, de outra localidade, chegou, por volta de 22h30. Outros três jovens foram atingidos por tiros, mas não correm risco de vida. Quatro suspeitos de terem participado da confusão foram presos por guardas municipais. Marlon foi enterrado ontem. Abalado, Edson Cigano, que não morava com o filho, não conseguiu dar declarações sobre o ocorrido.

Roubo dentro do metrô

As ocorrências envolvendo bate-bolas registradas pela polícia começaram às 19h45, quando, segundo testemunhas, aproximadamente 15 homens fantasiados de clóvis fizeram um arrastão em um vagão do metrô, entre as estações da Central e Cidade Nova, nas proximidades do Sambódromo. Eles teriam roubado celulares, dinheiro e objetos de dez foliões. Além de danificar o teto do vagão com pauladas, agrediram assaltados que tentaram reagir. A Concessionária MetrôRio alegou não ter recebido nenhuma queixa, e que está analisando imagens de segurança.

No mesmo horário, outro grupo de bate-bolas, que supostamente teria tentado praticar assaltos num bloco, foi dispersado a tiros na Rua Sete de Setembro, no Centro. Na fuga, deixou as fantasias na pista da Rua Primeiro de Março. A origem dos disparos está sendo investigada pela 5ª DP (Gomes Freire). Ainda na noite de segunda-feira, a 4ª DP (Central) também registrou dois assaltos praticados por pessoas fantasiadas de clóvis.

Uma triste tradição de confrontos

Ontem, nas redes sociais, simpatizantes de bate-bolas pediam paz. “Que Deus conforte os familiares dos mlk's (moleques, na gíria de internet) que se foram... Precisamos de paz”, postou um internauta num perfil do Facebook.

Encontros entre bate-bolas, geralmente marcados pela internet, também deixaram mortos e feridos no carnaval 2013 na Zona Norte e Baixada, coincidentemente. Danilo Almeida, 19, morreu com tiro em Bento Ribeiro, onde outras cinco pessoas foram feridas. Na época, dois adolescentes foram baleados por bate-bolas na estão de trem de Olinda, mas se salvaram.

Colaborou Marcello Victor

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