Marido de mulher arrastada por PMs pede que a Justiça seja feita

Alexandre Fernandes questiona caminho feito por policiais ao levarem Cláudia para hospital. Família vai processar o Estado

Por O Dia

Rio - O marido de Cláudia Ferreira da Silva, que foi arrastada pela viatura de policiais militares após ser baleada no último domingo, no Morro da Congonha, em Madureira, Zona Norte do Rio. Alexandre Fernandes da Silva questionou a ação dos PMs quando tentavam socorrer a vítima.

"Foi um descaso que eles fizeram, jogaram ela que nem bicho dentro do carro e saíram. Eu não consigo entender o motivo deles tê-la levado pela Intendente Magalhães, se lá não é o caminho mais próximo para o Carlos Chagas (hospital em Marechal Hermes para aonde Cláudia foi levada). Queremos que a justiça seja feita", diz Alexandre.

Marido de Cláudia (esquerda) questiona caminho feito por PMs para levá-la ao hospitalAlessandro Costa / Agência O Dia

"Nem com o pior traficante deve ser tratado assim. As pessoas a viram sendo carregada pelos PMs, agonizando", afirma o marido de Cláudia, lembrando que o casal de filhos gêmeos completará dez anos no próximo domingo. "E esse é o presente que deram a eles (filhos)".

Irmão de Cláudia, Júlio César Silva Ferreira, 42 anos, garante que a família processará o Estado. "A família está toda desestruturada. Todo dia é isso que a gente vê, essa injustiça da PM matando inocente. Vamos processar a PM e quem mais tiver culpa. Porque senão, esse caso vai ser mais um Amarildo. Foi uma execução", garante.

Claudia foi baleada e, após socorrida, arrastada por viatura da PMReprodução

O porta-voz da PM, tenente-coronel Cláudio Costa, também lamentou a ação dos PMs e garante que eles serão responsabilizados.

"Os policiais estão sendo autuados e vão responder por suas atitudes. No mínimo alguém deveria estar amparando a vítima no banco de trás", afirma.

Sepultamento será no cemitério de Irajá

O corpo de Cláudia está sendo velado na manhã desta segunda-feira, no cemitério de Irajá, onde será sepultado nesta tarde. Após o enterro, moradores da Congonha, onde ela morava e onde foi baleada, prometem novas manifestações.

A Avenida Ministro Edgard Romero, em Madureira, foi interditada nos dois sentidos na noite deste domingo. Dois ônibus da viação Três Amigos - um seguindo na direção do bairro vizinho de Vaz Lobo, outro indo para Madureira - foram incendiados na rua por moradores do Morro da Congonha, em protesto contra a morte de Cláudia.

Os protestos duraram até por volta das 23h e uma viatura do 9º BPM (Rocha Miranda) chegou a ser incendiada. As chamas demoraram a ser contidas, já que os moradores teriam impedido os bombeiros, acionados para conter o fogo, de trabalhar.

Corpo de Cláudia Ferreira é velado por parentes e amigos no Cemitério de IrajáAlessandro Costa / Agência O Dia

PMs serão presos

O comando do 9º BPM determinou a prisão imediata e a abertura de um Inquérito Policial Militar (IPM) contra os três policiais militares do batalhão que participaram do socorro a Cláudia, que morreu a caminho do Hospital Estadual Carlos Chagas, em Marechal Hermes.

Segundo o comandante da unidade, tenente-coronel Wagner Moretzsohn, os policiais, dois subtenentes e um soldado, resgataram a vítima na Rua Joana Resende e a colocaram dentro do porta-malas da viatura. No caminho para o Carlos Chagas, o porta-malas se abriu e parte do corpo da moradora foi arrastado, causando mais ferimentos à vítima.

Uma perícia será feita na viatura pelo Centro de Criminalística da PM. O caso está sendo investigado pela 29ª DP (Madureira) e pela 2ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar (DPJM).

Em nota, o comando da Polícia Militar informou "que este tipo de conduta não condiz com um dos principais valores da corporação, que é a preservação da vida e dignidade humana".

Dois ônibus foram incendiados em Madureira durante protestoOsvaldo Praddo / Agência O Dia


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