Bombeiro que liderou greve de 2011 é escolhido vice de Garotinho

Preso por encabeçar greve de militares em 2011, Marcio Garcia desafiou o governo do PMDB

Por O Dia

Rio - O time de Anthony Garotinho (PR) para tentar voltar ao governo do Rio terminou de ser escalado ontem, com o anúncio de que seu vice será Márcio Garcia, vereador do PR. O nome parece ter sido escolhido a dedo para incomodar mais o PMDB, já que, em 2011, durante o governo Sérgio Cabral, Garcia foi um dos líderes do movimento grevista dos bombeiros. Ele foi preso com outros 438 membros da corporação, que reivindicavam melhores salários.

Já existe um movimento para que Garcia, caso eleito, assuma a Secretaria de Estado de Defesa Civil, criada após a greve de 2011. Segundo o site do movimento ‘SOS Bombeiros’, nascido à época da greve, o aval para para que ele aceitasse candidatura foi dado após reuniões do grupo, que colocou a pasta como condição para o acerto de sua indicação.

O nome de Marcio Garcia foi anunciado ontem por Garotinho (PR)%2C que vai disputar o governo do Rio aliado ao Pros e ao PT do BFernando Souza / Agência O Dia

Ao anunciar o nome de seu vice, em Brasília, Garotinho disse que Garcia é o “retrato da arrogância de Sérgio Cabral”, deixando claro que a indicação é mais um ataque ao partido do atual governador Luiz Fernando Pezão, candidato à reeleição. “Ele vai ser um símbolo importante, porque é uma vítima entre os bombeiros presos. Nós vamos lembrar durante a campanha o que Cabral fez com funcionários públicos”, disse Garotinho.

A chapa “puro-sangue” mostra que o deputado não conseguiu fazer Marcelo Crivella (PRB) desistir de sua candidatura ao governo para apoiá-lo. A parceria entre os dois líderes nas pesquisas de intenção de voto não se confirmou, mas Crivella segue indeciso. Ontem, o senador voltou a passar o dia em reuniões para discutir os nomes de seu vice e seu candidato ao Senado. Segundo assessores, o senador ainda tenta atrair algum partido para sua aliança. O prazo para o registro das candidaturas vai até sábado, às 19h.

Além do Pros, que indicou o nome de Hugo Leal ao Senado, o nanico PT do B também está com Garotinho, e terá como candidato a deputado federal outro bombeiro, o coronel Guilherme Moraes, presidente do Clube dos Oficiais Bombeiros do Rio de Janeiro. Ele não apoiou a aliança de seu partido com Garotinho, — “mas na política sou soldado raso e acato as ordens”-_, foi contra a greve em 2011, mas está orgulhoso. “Espero que ganhe. Muito bom ver um jovem nessa posição”, indicou o coronel.

Márcio Garcia foi eleito vereador em 2012, com mais de 13 mil votos.


O quadro das eleições para governador está praticamente definido, faltando apenas a indicação final da chapa de Marcelo Crivella (PRB). Confira o calendário com as datas mais importantes do período.

CALENDÁRIO

5 DE JULHO
Último dia para os partidos políticos pedirem o registro dos candidatos ao TRE.

19 DE AGOSTO
Início da veiculação de propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão.

3 DE SETEMBRO
Último dia para os candidatos, os partidos políticos ou coligações substituírem a foto e/ou os dados que serão usados na urna eletrônica.

20 DE SETEMBRO
A partir dessa data, nenhum candidato pode ser preso, salvo em flagrante delito.

5 DE OUTUBRO
Dia da eleição

Outro líder da greve é candidato pelo Psol

Assim como Márcio Garcia, outro bombeiro que participou das manifestações por melhores salários em 2011 também disputará estas eleições: é o Cabo Daciolo, candidato a deputado federal pelo Psol, partido da deputada estadual Janira Rocha, acusada, à época, de ter orientado o bombeiro sobre a greve. Procurado ontem, ele não quis dar entrevista.

Depois de diversas manifestações nas ruas do Rio, a reivindicação dos bombeiros por melhores salários em 2011 se radicalizou quando policiais do Bope e da Tropa de Choque da PM invadiram o Quartel Central do Corpo de Bombeiros para expulsar as duas mil pessoas que estavam no local, pedindo melhores salários. Na ocasião, 439 bombeiros foram presos — entre eles, Garcia e Daciolo.

Ao comentar o caso, o então governador Sérgio Cabral foi duramente criticado depois de chamar os bombeiros de “vândalos e irresponsáveis”.

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