Corpo de fisiculturista é identificado no Instituto Médico Legal

Irmã do jovem de 25 anos fez o reconhecimento na noite desta segunda-feira. Corpo foi encontrado no mar de Itaipu

Por O Dia

Rio - O corpo do fisiculturista e assistente administrativo Daniel Lopes, 25 anos, foi reconhecido por volta das 21h desta segunda-feira pela irmã, Michele Lopes, no IML (Instituto Médico Legal). Daniel estava desaparecido desde domingo, quando pulou no mar durante a festa Hepa OnBoard em um barco. Ele e um amigo pularam quando a embarcação, que saiu da Marina da Glória, na Zona Sul do Rio, passava pela praia de Jurujuba, em Niterói. De acordo com a irmã do rapaz, Michele Lopez, o jovem não sabia nadar. No final da tarde desta segunda-feira o corpo foi encontrado pelo 4º GMar (Grupamento Marítimo) de Itaipu.

No dia do afogamento, o amigo de Daniel ainda conseguiu puxar o jovem pelo braço por duas vezes, mas não teve forças para mantê-lo à tona. A irmã do jovem reclama a ausência de um esquema que garantisse a segurança dos ocupantes do barco durante o evento. "Pelo que o amigo dele me contou, nenhuma pessoa do barco pulou para ajudar. O socorro do Corpo de Bombeiros demorou mais de uma hora para chegar. Não havia ninguém no barco habilitado para prestar socorro. E numa festa no mar, todos deviam estar com o colete no corpo. Sei que as pessoas que estavam no barco eram maiores de idade, mas, da forma como tudo ocorreu, é a mesmo que pegar um avião de porta aberta", disse.

Foto tirada momentos antes do mergulho dos amigos André Phelipe (esquerda) e Daniel Lopesarquivo pessoal

O organizador da festa, Michael Rodrigues, afirmou que a segurança para a realização do evento foi garantida. "O barco passou por inspeção da Marinha e estava habilitado. O capitão, no ínício da festa, avisou às pessoas da presença de coletes salva-vidas e de boias para quem quisesse mergulhar. Além disso, o barco, que tem capacidade para 120 pessoas, contava com 80 convidados da festa além do staff da organização, portanto abaixo da capacidade máxima autorizada. Assim que o acidente aconteceu, o som do barco foi desligado até a chegada dos Bombeiros. Assim que o barco foi liberado para voltar à Marina da Glória, o procedimento de retorno foi feito e a festa encerrada", assegurou.

Por volta das 19h30, a reportagem do DIA conseguiu falar com o amigo de Daniel. De acordo com André Phelipe Ribeiro, 28, as pessoas na festa foram avisadas da existência dos coletes e das boias, conforme disse o organizador da festa. No entanto, ele contestou a informação de que o barco voltou para a Marina da Glória com o som desligado. "A festa recomeçou assim que o Corpo de Bombeiros liberou o barco e continuou até a chegada da Marina da Glória". Para a irmã do fisiculturista, o recomeço da festa foi um "ato desumano". "Uma pessoa que vê um problema desse e dá continuidade ao evento é uma pessoa sem coração", disse ela. Na página da Hepa OnBoard no Facebook, frequentadores da festa afirmaram que o som voltou a ser ligado.

Na versão do amigo, Daniel pulou ao ver uma amiga da dupla que não sabia nadar também entrar no mar. "Foi tudo muito rápido, acho que ele confiou que dava para ficar na água porque uma amiga nossa conseguiu ficar na água. Eu ainda consegui puxá-lo por duas vezes, mas ele começou a se debater muito e acabou afundando", relatou.




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