Jovem se torna primeira transexual a ter sua identidade alterada na PUC

Cléo Oliveira tentava ser reconhecida pela instituição como mulher desde que entrou na universidade, em 2011

Por O Dia

Rio - Após quatro anos tentando ser reconhecida como mulher na universidade em que cursa Serviço Social, a transexual Cléo Oliveira, de 34 anos, conseguiu o registro de seu nome social nos documentos da PUC, semana passada. A vitória veio graças à ajuda de funcionários da instituição, que convenceram a reitoria. A aluna é a primeira na história da faculdade a ter o nome substituído.

A universitária diz que sempre foi bem acolhida pelos professores João Laet / Agência O Dia

Desde que entrou na PUC, em 2011, Cléo fez três pedidos formais à direção para mudança de seu nome. No primeiro, causou espanto nos funcionários do departamento, que ignoraram a solicitação. “Um deles disse que era impossível fazer isso e até riu da situação”, explicou a aluna.

Na segunda vez, o não foi ainda mais incisivo. “Falaram que eu tinha que ir até a Justiça para pedir a troca do nome”, relembrou Cléo, que não desistiu do objetivo.

No começo deste ano, após receber outra resposta negativa da instituição, a transexual resolveu pedir uma reunião com a reitoria.

“Achei que estava na hora de levar o caso para outras instâncias, mas nem foi preciso, pois no departamento social um funcionário me ajudou imediatamente, porque ficou sensibilizado com a história. Ele logo convenceu o reitor e resolveu meu problema”, contou.

A troca oficial do nome na pauta acadêmica foi feita na semana passada e desde então, no diário de classe, o Cléber ficou para trás. “Foi uma conquista muito importante. Tomara que sirva de exemplo para outras instituições”, declarou Cléo. Durante os quatro anos de estudo, foram raros os momentos em que ela foi vítima de algum preconceito. “Só teve uma vez que um professor exigiu que eu escrevesse meu nome de batismo na prova. Eu fiz para não criar problemas”, ressaltou. Na lista de chamada, os professores sempre fizeram questão de riscar o nome Cléber e escrever Cléo e, quando esqueciam de chamá-la adequadamente, a estudante não respondia.

“Tinha vezes que me chamavam de Cléber. Eu ficava quietinha e, quando acabava a aula, ia no professor e explicava a situação. Sempre fui muito bem acolhida”, completou a aluna, que agora aguarda sua nova carteira de estudante. “É tão difícil conseguir um documento com nome social. Meu processo na Justiça já dura dois meses. A carteira vai me ajudar a ser reconhecida nos lugares”, alegou Cléo.

Emprego é o mais difícil

?Entre as transexuais que não conseguem o registro do nome social, o maior desafio é ter um emprego. Segundo Bárbara Aires, do Conselho LGBT Municipal, muitas são dispensadas antes mesmo de começar a trabalhar. “O problema é na hora da entrega de documento. A empresa geralmente não aceita e até humilha a trans”, explicou Bárbara.

Para conseguir o benefício, é preciso acionar a Justiça, pela Defensoria Pública ou particular, mas o processo ainda é demorado. “É preciso uma lei que obrigue a mudança de nome na sociedade. Até o momento, só temos resoluções”, completou.

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