Mãe de menino morto no Alemão cobra solução do Estado

Dois meses após a morte do fillho, Terezinha diz que caso foi abandonado

Por O Dia

Rio - A morte do menino Eduardo de Jesus Ferreira, de 10 anos, no Complexo do Alemão, em plena Semana Santa, completou dois meses na última terça-feira. À mãe da criança, a dona de casa Terezinha Maria de Jesus, de 36 anos, tudo foi prometido, além de muitos pedidos de desculpa. De punição ao policial responsável pelo assassinato a uma indenização condizente com o tamanho da perda e da dor.

Até o momento, no entanto, absolutamente nada foi feito. As desculpas, claro, não foram aceitas. Dona Terezinha, que hoje mora de favor na casa da tia do marido em Brás de Pina, espera ainda uma segunda indenização, da Secretaria Municipal de Habitação, já que sua casa no Alemão foi demolida pela prefeitura.

No último sábado, Terezinha postou um vídeo no Youtube fazendo um desabafo. Nesta quarta-feira, em conversa por telefone com O DIA, na véspera do feriado de Corpus Christi, a mãe de Eduardo contou como tem sido a sua via-crúcis particular.

Pais de Eduardo querem deixar a cidade%2C após o trauma de perder o filho caçula%2C morto com tiro de fuzilFabio Gonçalves / Agência O Dia

“Não vou parar de falar enquanto tudo não for resolvido. A polícia mata meu filho de uma forma abominável e vai ficar tudo por isso mesmo? Claro que não. Meu filho não é cachorro. Ou é porque mora no Alemão e não na Lagoa? Já se passaram dois meses e cadê? Todo mundo sumiu”, desabafou.

Em relação ao assassino do filho, Terezinha também reclamou do descaso da Polícia Civil e falta de informações sobre o processo. “Ninguém me fala nada. Estou que nem carro velho abandonado no escuro. Um policial acabou com a minha vida, acabou com a vida do meu filho. E ninguém sabe de nada. É incrível”, disse. A Polícia Civil informou que as investigações estão em andamento e que agentes aguardam os laudos periciais.

Terezinha afirmou ainda que assinou os papéis para receber a indenização prometida pelo governador Luiz Fernando Pezão, mas que não recebeu um centavo nem informação a respeito. A assessoria de Pezão garantiu que o processo está correndo em rito sumário a pedido do próprio governador. E que a família receberá a indenização até o fim deste mês, além de pensão até 2069, quando Eduardo completaria 65 anos.

Família quer indenização para deixar o Rio

O desabafo de dona Terezinha de Jesus têm um motivo que vai além do desejo de Justiça e o direito à reparação. A mãe de Eduardo quer resolver de uma vez as pendências para deixar o Rio de Janeiro. Traumatizada, ela pretende voltar ao Piauí, sua terra natal, para tocar a vida na cidade de Cristalândia, no sul do Estado.

“A prefeitura, através da secretaria de Habitação e de Assistência Social, demoliu a minha casa. E me disseram que vão me dar um apartamento em troca. Mas eu não quero ficar no Rio mais nem um dia. Quero voltar para a minha terra. E não tenho como levar um apartamento nas costas. Se eles querem me dar um, que me deem lá, não aqui”, disse Terezinha.

Procurada pelo DIA, a secretaria municipal de Habitação não esclareceu os pontos contestados pela mãe de Eduardo.

O menino Eduardo foi baleado com tiro, supostamente de fuzil, na porta de sua casa, no Complexo do Alemão, durante a Semana Santa. Na ocasião, policiais militares reforçavam o patrulhamento do conjunto de favelas por conta de uma série de confrontos que vitimou outra moradora e deixou a população em pânico durante dias seguidos. Agentes que estavam na ação foram afastados das ruas.

Eduardo morreu na hora. Na sequência, moradores fecharam a principal via do Alemão em protesto, que terminou em conflito com policiais.


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