DH fará a reprodução simulada da morte de jovem no Morro da Providência

Eduardo Felipe Santos Victor, de 17 anos, morreu na última terça-feira e os PMs envolvidos no caso estão presos

Por O Dia

Eduardo Felipe Santos Victor, de 17 anos, foi morto na última terça-feira, no Morro da ProvidênciaDivulgação

Rio - A Divisão de Homicídios (DH) da Capital fará uma reprodução simulada da morte do adolescente Eduardo Felipe Santos Victor, de 17 anos, na última terça-feira, no Morro da Providência. A data deverá ser divulgada nos próximos dias. Imagens feitas por moradores da comunidade mostram os policiais da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Providência alterando a cena do crime onde está a vítima. Agentes da DH estão nesta quinta-feira na comunidade procurando outras provas e tentam encontrar testemunhas e novos vídeos.

A imagem flagrou o PM Eder Ricardo de Siqueira colocando uma arma na mão de Eduardo. Em depoimento na DH, ele alegou ter atirado para evitar um acidente, alegando que a arma estava travada com duas balas. Segundo policiais, Eder não teria participado do confronto e foi ao local após ouvir tiros. No vídeo ele aparece sem farda.

Também em depoimento, o policial Paulo Roberto da Silva assumiu ter sido o autor do disparo que atingiu e matou Eduardo. Ele afirmou que agiu em legítima defesa porque o garoto teria esboçado uma reação contra os PMs.

Além de Eder e Paulo Roberto, os PMs Riquelmo de Paula Geraldo, Gabriel Julião Florido e Pedro Victor da Silva Pena também estão presos e todos foram indiciados por fraude processual. A pistola colocada na mão de Eduardo está sendo periciada. O tiro que matou o adolescente entrou pelo peito do lado direito e saiu pelo mamilo no lado esquerdo.

Na quarta-feira, a juíza Maria Izabel Pena Pieranti, do Plantão Judiciário, decretou a prisão preventiva dos PMs envolvidos na morte do garoto. Segundo a decisão da magistrada, é “inadmissível que agentes da lei, encarregados da manutenção da ordem pública e da regular persecução penal, procedam a alteração de cenário criminoso, visando a ludibriar perito ou magistrado e garantir a sua impunidade pela prática de crime”, afirmou no documento.

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De acordo com o delegado Giniton Lages, o caso foi desmembrado em dois inquéritos: um para investigar o suposto auto de resistência e outro para apurar a suspeita de fraude processual. Ele informou que os PMs serão ouvidos somente após o recebimento dos laudos de necropsia e de balística e do depoimento das testemunhas na DH.

Pezão pede desculpas

O governador Luiz Fernando Pezão pediu desculpas à população e chamou a situação de “abominável”. A morte de Eduardo repercutiu também no cenário internacional. O ‘El País’ estampou em seu site: ‘Polícia do Rio forja cena de crime para esconder assassinato de jovem’.

O caso reverberou no MP. O procurador Antonio José Campos Moreira enviou e-mail interno criticando a atuação do órgão no combate às atividades policiais. Moreira diz não entender “a absoluta inércia da chefia”: “O MPRJ é, hoje o único que não conta com grupo especializado”, disparou. Em resposta, Marcio Mothé, coordenador de Direitos Humanos do MP, afirmou que desde 1990 o órgão faz este trabalho e que nos próximos dias deverá criar grupo de controle externo.

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