Balas perdidas atingem oito pessoas desde domingo

Um homem morreu e outro ficou ferido no Caju. Em uma semana, foram cinco mortos e três feridos no Rio

Por O Dia

Pai de um dos baleados%2C Irineu Galdino da Silva está inconsolávelSandro Vox / Agência O Dia

Rio - Em menos de uma semana, já chega a oito o número de vítimas de balas perdidas no Rio e um total de cinco mortes. Os casos mais recentes aconteceram na noite desta quinta-feira, no bairro do Caju, Zona Portuária, durante tiroteio por volta das 20h30. Segundo o comando da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Caju, suspeitos em um carro passaram atirando contra moradores que circulavam pela Rua Carlos Seidl. Felipe Galdino da Silva, de 37 anos, foi baleado e já chegou ao Hospital Geral de Bonsucesso sem vida. Marcos Antônio Porfírio dos Santos, 53, foi atingido nas costas e já está em casa.

Muito abalado, o pai de Felipe, Irineu Galdino da Silva, 83, está inconformado com a morte do filho. “Eu não existo mais, meu corpo está aqui, mas eu não sei mais onde estou”, lamentou, inconsolável. Felipe morava na Tijuca com os pais.

Irmão mais velho de Felipe, o professor Jorge Galdino contou que o irmão era um rapaz de bem, trabalhador. “Estamos perto das Olimpíadas, o mundo todo vai estar aqui e a gente ainda tem que conviver com essa violência”, disse.

Para o ex-secretário nacional de segurança, José Vicente Filho, a situação que o Rio de Janeiro enfrenta a poucos dias da chegada de turistas do mundo inteiro é bastante preocupante. “O governo se diz preparado, mas se acontecerem ações isoladas de atos de violência pela cidade não conseguiriam montar uma ação coordenada em tempo: cada um tem um rádio diferente, como vão fazer isso?”, questiona.

Filho acredita que a chegada das Forças Armadas ao Rio e o grande volume desses soldados nas ruas possa intimidar ações como as que fizeram as duas vítimas na última quinta-feira. “O ambiente ideal seria se tivéssemos uma baixa atividade criminal e, consequentemente, redução das balas perdidas”, sugere Filho.

Para alívio da família, o porteiro Marcos Antônio Porfírio dos Santos teve alta na noite de ontem e já está em casa. Segundo seu filho, Marcos Antônio dos Santos, o pai sofre de depressão há algum tempo e por estyar medicado, se mostra calmo mesmo depois do ocorrido.

Em nota, a UPP do Caju informa que o policiamento está reforçado na comunidade com o apoio de outras UPPs. A Divisão de Homicídios (DH), da Polícia Civil, assumiu a investigação do caso.

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