Ato homenageia 31 crianças vítimas de bala perdida e pede mudanças

Estampados em placas, nomes das vítimas foram expostos na Praia de Copacabana na tarde desta segunda-feira

Por O Dia

Rio - Sofia Lara Braga, 2 anos. Ryan Gabriel, 4. Ana Beatriz Duarte de Sá, 5. Shayene Santos, 14. Em comum, o fato de terem sido vítimas de bala perdida nos últimos dez anos — todos no Rio de Janeiro. Segundo a ONG Rio de Paz, 31 menores de idade morreram dessa forma no estado de 2007 até hoje, sendo 18 nos últimos dois anos. Os nomes, estampados em placas, foram expostos na tarde desta segunda-feira na Praia de Copacabana, em ato organizado pela ONG.

Ong Rio de Paz promove ato em homenagem às crianças baleadas no RioEstefan Radovicz / Agência O Dia

Em cenário composto ainda por uma bandeira do Brasil com buracos que simulavam balas, o fundador da Rio de Paz, Antônio Costa, explicou que a intenção do ato é mostrar que a morte de Sofia, em Irajá, no domingo, não foi um caso isolado. “A razão de ser da democracia, o direito à vida, está sendo violado na vida daqueles que mais dependem da sociedade e do poder público para terem esse direito defendido”, disse, referindo-se às parcelas mais pobres da população.

Para mudar essa realidade, Antônio Costa acredita na necessidade de eleger políticos comprometidos com mudanças profundas. “Precisamos de uma classe dominante que tenha condição de implementar reformas estruturais que vão interferir nos interesses das pessoas. Precisamos botar o foco na favela. Como nós intencionamos esperar paz numa cidade com tamanho fosso entre ricos e pobres?”, aponta.

Ele também indica a valorização da polícia e a rediscussão da guerra às drogas como caminhos imprescindíveis. E, na base de tudo, a importância de a população entender que direitos humanos não são uma mera “defesa de bandidos”, como alguns creem. “Infelizmente, esses valores não nos são ensinados dentro de casa. Não fazem parte das conversas que nós tivemos com os nossos pais à mesa. Não nos foi ensinado na escola, não temos novelas com esses valores. Isso é cultural.”

?Reportagem do estagiário Caio Sartori

Últimas de Rio De Janeiro