Cantor Jair Rodrigues morre aos 75 anos

Causa foi infarto do miocárdio; artista tinha 75 anos e estava em casa, em Cotia, na Grande São Paulo

Por O Dia

O cantor Jair Rodrigues morreu nesta quinta-feira. Ele tinha 75 anos e estava em sua casa em Cotia, na Grande São Paulo. A causa da morte foi um infarto agudo do miocárdio, informou a assessoria de imprensa. O corpo foi encontrado na sauna da casa.

"Tinha carisma, era um grande cantor de samba além de MPB e até música sertaneja. Tinha uma energia fora do comum. Demorou alguns anos para perceber que isso era algo natural dele. E tinha um amor ao ofício, fazia de 12 a 18 shows por mês. Me dizia: 'Não posso parar de cantar. É o meu amor, minha vida'", afirmou o produtor João Marcelo Bôscoli

"Era uma pessoa de um carisma irresistível", disse o pesquisador musical Ricardo Cravo Albin.

Nascido em Igarapava (SP) em 6 de fevereiro de 1939, Jair Rodrigues de Oliveira era um dos mais populares cantores brasileiros.

Carreira

No início da carreira, nos anos 1950, participou de programas de rádio no interior de São Paulo e em shows de calouros. Gravou o primeiro disco em 1962, com duas músicas que faziam referência à Copa do Mundo daquele ano: "Brasil Sensacional" e "Marechal da Vitória". Os primeiros LPs foram "Vou de Samba com Você" e "O Samba Como Ele É", de 1964, época em que tornou-se famoso com a faixa "Deixa Isso Pra Lá" (Alberto Paz e Edson Meneses), canção que é considerada uma precursora do rap brasileiro.

Em 1965, cantou pela primeira vez com Elis Regina, com quem lançou o LP "Dois na Bossa". em seguida, a dupla comandou o programa "O Fino da Bossa", na TV Record.

Em 1966, Jair Rodrigues participou do festival da Record com a canção "Disparada", de Geraldo Vandré e Théo de Barros. A música terminou como vencedora do evento, ao lado de "A Banda", interpretada por Nara Leão.

Já em 1971, o cantor lançou "Festa para um Rei Negro", que trazia o samba-enredo homônimo feito para o Salgueiro. A intrepretação é um dos grandes sucessos de Jair, com o refrão: "Ô lê lê, ô lá lá/ pega no ganzê/ pega no ganzá".

Nos anos 1970, lançou os discos "Com a Corda Toda" (1972), "Orgulho de um Sambista" (1973), "Abra um Sorriso Novamente" (1974), "Ao Vivo no Olympia de Paris" (1975), "Eu Sou o Samba" (1975), "Minha Hora e Vez" (1976), "Estou com o Samba e Não Abro" (1977), "Pisei Chão" (1978), "Antologia da Seresta" (1979) e "Couro Comendo" (1979).

Nos anos 1980, vieram "Estou Lhe Devendo um Sorriso" (1980), "Antologia da Seresta nº 2" (1981), "Alegria de um Povo" (1981), "Jair Rodrigues de Oliveira" (1982), "Carinhoso" (1983), "Luzes do Prazer" (1984), "Jair Rodrigues" (1985) e "Jair Rodrigues" (1988).

Em 2005, lançou o CD "Alma Negra", que trazia a participação da filha Luciana Mello (o cantor Jairzinho também é seu filho).

Em 2006, foi lançado o DVD "Jair Rodrigues - Programa Ensaio - 1991", no qual dá depoimento e canta alguns de seus sucessos. Entre as interpretações conhecidas de por Jair Rodrigues estão "O Menino da Porteira", "Boi da Cara Preta" e "Majestade o Sabiá".

No mesmo ano Jair Rodrigues foi o artista homenageado no 4º Prêmio Tim de Música, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Recebeu também  indicação ao Prêmio Grammy Latino, na categoria Álbum de Samba Brasileiro com o álbum Alma Negra.

Ele é pai dos cantores e compositores Jair Oliveira - que participou, na década de 1980, como o garoto Jairzinho, do programa infantil da TV Globo Balão Mágico - e Luciana Mello.

*Com Agência Brasil

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