Por O Dia

Para os mercados e especialistas, foi um choque a indicação de que a presidente Dilma Rousseff deverá vetar o artigo da MP 665 que reduz o valor do abono salarial. O impacto no conjunto de medidas do ajuste será em torno de R$ 7 bilhões, de acordo com os primeiros cálculos, cerca de um terço do valor do pacote inicial que chegou ao Congresso há cinco meses. Há forte convicção entre os adversários da medida que ela é inconstitucional e, diante de um recurso ao Supremo, há grande expectativa de vitória, com efeito ainda mais negativo sobre a política de estabilização do ministro Levy.

Esse cenário de incertezas que se abre diante do cabo de guerra com o Congresso só reforça o diagnóstico de que enfrentar problemas econômicos mirando cortes nas despesas obrigatórias do orçamento é uma batalha ingrata. Diante da sistemática reação dos políticos, o espaço que resta para passar a tesoura são os custos não obrigatórios, em resumo, os investimentos, que já sofreram muito no primeiro mandato da presidente. Além disso, é sempre um sinal ruim para o setor privado quando o governo trava a economia por meio desse recurso. Resta então o lado da receita, por meio do aumento da tributação dos ganhos dos bancos, fórmula que além de tudo tem um oportuno apelo popular, pois periodicamente a mídia publica notícias sobre balanços do setor com lucros elevados. No meio político, é o tipo de solução que facilita o entendimento e une até mesmo governo e oposição. Mas seguramente leverá a um acalorado debate sobre a divisão dos ônus a serem pagos pelos erros da política econômica. Já começou o choro no setor financeiro.

Unidos do contra

O grupo dos 11 senadores que prometeu votar contra o ajuste de Levy e assinou um manifesto de repúdio às medidas mistura parlamentares de seis partidos, inclusive da base aliada, e diagnósticos diferentes sobre os problemas econômicos. O que os une é a crítica. Acham o pacote insuficiente, injusto e de curtíssimo prazo. Eles alegam que não foram consultados. A mais polêmica de suas sugestões é uma medida que lembra a época da superinflação - o reescalonamento da dívida interna.

Vespeiro

O senador Eunício Oliveira, líder do PMDB no Senado, dá início, neste fim de semana, à pré-campanha para as eleições municipais. Sua primeira tarefa será desalojar dos diretórios municipais os cabos eleitorais que lhe impuseram a derrota contra Camilo Santana (PT), que se elegeu governador. Haverá óbvia repercussão em Brasília.

Só o começo

O vice-presidente Michel Temer (PMDB) é o convidado do dia 1º de junho para o debate interno que a Associação Comercial de São Paulo promove toda primeira segunda-feira do mês. Na última reunião, em vez de uma autoridade da área política ou econômica, os conselheiros, entre os quais empresários, técnicos e políticos sem mandato de diferentes partidos, debateram a crise. Chegaram à conclusão que ela ainda está longe do fim e tem forte potencial para agravar os danos políticos.

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