Por O Dia

Rio - ‘Na vida, nada é mais certo do que a morte e o dinheiro dos impostos”, dizia Benjamin Franklin (1706-1790), inventor, cientista e diplomata americano. Por isso, não faz sentido adiar o inadiável, sob o risco de perder mais dinheiro com pagamento de multa, juros e correções monetárias. Mesmo assim, depois de 60 dias de prazo (1º de março a 28 de abril, sexta-feira que vem), quase metade dos 28,3 milhões de contribuintes deixou para fazer na última semana a declaração do IR 2017. Daí que a suprema recomendação agora é a mesma do ano passado e a mesma do ano que vem: não deixe nada para a última hora - exceto a morte.

A SINA DOS ‘ATRASILDOS’

Para essa multidão de "Atrasildos", um dos problemas imediatos será enfrentar congestionamentos, imprevistos e quedas na conexão do site da Receita. O outro será aprender, mais cedo ou mais tarde, que o dinheiro preza quem respeita método, disciplina e organização - ainda que seja para pagar, e não para receber. É preciso entender que pagar em dia ainda é a melhor maneira de lidar com impostos ou contas; pagar com atraso não é legal; e não pagar, ou seja, sonegar... é crime. O noticiário tem mostrado que esse último caso se tornou muito perigoso, até para quem se achava muito poderoso.

Bem no comecinho do longo período de entrega do IR 2017 (edição de 3 de março), coube à estagiária Marina Cardoso, da Economia de O DIA, reportar dicas, sugestões e orientações sobre como fazer a declaração gratuitamente. A matéria apontava universidades e outras instituições de ensino que costumam oferecer esse serviço de graça. Quem aproveitou o bom trabalho da estagiária fez um bom negócio. Quem não aproveitou, perdeu tempo e dinheiro. De lá para cá, muitas faculdades deram por encerrada a missão, só algumas ainda estão abertas e receptivas - quem sabe, nesta reta final, nossa Marina não volta a dar uma forcinha? Pelo sim, pelo não, corre que o Leão vem aí! 

'ORDEM, PROGRESSO E BASTA'

Tem gente que acha histérica a gritaria contra a carga tributária brasileira. Há pessoas que enxergam nas campanhas um chororô de empresários mimados e gananciosos querendo apenas preservar faturamentos fáceis e lucros recordes. Outras argumentam que só estão transformando os impostos em mais uma bandeira conservadora onde, em vez de "Ordem e Progresso", pode-se ler "Basta e Abaixo". E ainda existe quem entenda que o peso dos tributos reflete exatamente a nossa desigualdade histórica, uma das "marcas da maldade" do país. O problema é a generalização: a mania de acreditar que tudo e todos conspiram contra tudo e contra todos. 

NEM ALFINETE, NEM AGULHA, NEM CLT

Não há dúvida de que a carga tributária é abusiva. Os impostos fazem do governo sócio indesejável de grandes negócios e de pequenos salários. Um sócio sem ônus, sem deveres e sem obrigações. Sócio sem custo com matéria-prima, sem preocupação com lei trabalhista, sem responsabilidade com eficiência operacional. Por isso, empresas e famílias não suportam mais passar aos cofres públicos 40% do PIB, o total nacional dos bens, serviços e riquezas. A bronca geral é que o governo "fatura" tudo isso mesmo sem produzir um alfinete ou uma agulha. 

MAIS OS POBRES, MAIS OS RICOS

É verdade que estão por aí empresários mimados e gananciosos, bandeiras conservadoras e desigualdades histéricas ou históricas. E também é verdade que, com ou sem eles, os tributos continuam castigando mais os pobres, que gastam basicamente com alimentos e transportes, em vez de alcançar mais os ricos ou alcançar mais ricos. Se atingissem um número bem maior de contribuintes, os impostos poderiam ser diluídos e diminuídos. Enquanto isso não acontece, a gente pode até reclamar... mas tem que pagar. 

Bom domingo e boa sorte!

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