Janot ignorado na posse de Dodge O Dia - Política e País
01 de janeiro de 1970
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Janot ignorado na posse de Dodge

Antecessor não comparece à cerimônia e mal é citado; Temer elogia procuradora

Por O Dia

Em rápida cerimônia de 30 minutos, o presidente Michel Temer deu posse ontem à nova procuradora-geral da República, Raquel Dogde, em substituição a Rodrigo Janot. O hoje ex-PGR, em cuja última semana denunciou Temer pela segunda vez, não compareceu à cerimônia e mal foi citado, mas recebeu indiretas. "Toda vez que se ultrapassam os limites da Constituição ou os da Lei, verifica-se o abuso de autoridade", afirmou Temer. "A harmonia entre os poderes é um requisito para a estabilidade da nação", afirmou, no mesmo tom, a nova PGR.

Dodge, segunda mais votada no colégio do MP e escolhida por Temer que ignorou Nicolao Dino, o primeiro da lista tríplice e aliado de Janot , afirmou que é seu dever promover justiça, defender a democracia e "garantir que ninguém esteja acima da lei ou abaixo dela". Ela também destacou que o povo brasileiro mantém a esperança de um futuro melhor, acompanha as investigações e "não tolera a corrupção". E fez breve menção ao antecessor, agradecendo-o pelo "serviço à nação".

"O país passa por um momento de depuração. Os órgãos do sistema de administração de Justiça têm no respeito e na harmonia entre as instituições a pedra angular que equilibra a relação necessária para se fazer justiça em cada caso concreto", afirmou Dodge, que iniciou o discurso dirigindo-se ao povo, "de quem emana todo o Poder".

"Estou ciente da enorme tarefa que está diante de nós e da legítima expectativa de que seja cumprida com equilíbrio, firmeza e coragem, com fundamento na Constituição e nas leis", disse Dodge. A nova PGR não citou a Lava Jato. Ela encerrou o discurso citando a poetisa goiana Cora Coralina, para que haja "mais esperança nos nossos passos do que tristeza em nossos ombros".

Fim da calmaria

Seu mandato começa em uma semana sensível. Amanhã, o STF julgará pedido da defesa de Temer para congelar as últimas denúncias até que se determine se as provas contra o presidente fornecidas pelos proprietários da JBS são válidas. Temer é acusado de liderar uma organização criminosa para espoliar o Estado, dentro do que Janor chamou de "Quadrilhão do PMDB", e de tentar obstruir a ação da Justiça.

Janot também deixa abertas denúncias contra os ex-presidentes Lula, Dilma, Sarney e outros políticos do núcleo duro do Planalto.