01 de janeiro de 1970
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Funaro complica Temer

Doleiro distribui denúncias de propina e inclui Eduardo Cunha; Planalto rebate

Por O Dia

Trechos da delação do corretor Lúcio Bolonha Funaro tornados públicos ontem complicaram ainda mais a situação do presidente Michel Temer. No dia em que o Supremo Tribunal Federal concluiu votação que na prática despacha a segunda denúncia de Rodrigo Janot para a Câmara, o Planalto recebeu a 'bomba' de que, segundo garante Funaro, Temer foi um dos destinatários de propina paga pela Odebrecht e Andrade Gutierrez em uma obra de Furnas.

"Eduardo Cunha redistribuía propina a Temer, com '110%' de certeza", cravou o corretor, para quem o deputado cassado era uma espécie de "banco de propina" de deputados, ou seja, pagava para os parlamentares e depois se tornava "dono" dos mandatos Funaro disse ainda que José Yunes, amigo e ex-assessor de Temer, lavava dinheiro para o presidente e que a maneira mais fácil para isso era por meio da compra de imóveis.

A obra de Furnas era no Rio Madeira, em Porto Velho, Rondônia. As duas empreiteiras são sócias da estatal na Santo Antônio Energia, responsável pela implantação e operação da Hidrelétrica Santo Antônio, obra do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Além de Temer, teriam recebido propina os ex-deputados Eduardo Cunha e Henrique Eduardo Alves, os dois presos atualmente por conta de desdobramentos da Lava Jato. Funaro não cita valores.

Ainda segundo o delator, "provavelmente os pagamentos foram feitos parte em espécie e parte em doação de campanha, como era feito de costume na maioria dos casos."

A Secretaria de Imprensa da Presidência da República distribuiu nota rebatendo as acusações de Funaro. De acordo com o Planalto, "o doleiro mais uma vez desinforma as autoridades do Ministério Público Federal" e "todos imóveis do presidente Michel Temer foram comprados de forma lícita e estão declarados à Receita Federal". A nota diz ainda que "Funaro continua espalhando mentiras e inverdades de forma contumaz, repetindo o mesmo roteiro de delações anteriores, em que traiu a confiança da Justiça e do Ministério Público, com já registrou a PGR".