Carros brasileiros: defeito de fábrica

Após Renault Kwid, quase todos os Fiat Argo vendidos entram em recall

Por O Dia

Rio - Os últimos lançamentos da indústria automotiva brasileira estão saindo de fábrica defeituosos. Depois do Renault Kwid, pelo menos 97,5% dos exemplares do Fiat Argo (a totalidade, digamos) vendidos desde o lançamento estão envolvidos em recall. São 21.778 unidades chamadas, das 22.336 circulantes, de acordo com dados da Fenabrave, a entidade que representa os concessionários.

Fiat Argo entra em campanha de recall%3A atendimento deve ser agendadoDivulgação

De acordo com a Fiat, o recall é necessário para a "verificação e reparo do chicote elétrico do volante de direção e, se necessário, a substituição" da peça. O chamado compreende todas as versões 2017/2018, com código alfanumérico e não sequencial de chassis localizados entre 9BD358A42JYH10115 a 9BD358A9WJYH10215. A marca não informou a data de fabricação dos exemplares.

No comunicado, a Fiat fala que "foi identificada a possibilidade de rompimento do chicote elétrico da direção, devido a um possível esmagamento provocado pela cobertura do airbag, podendo provocar a sua desativação e, em casos extremos, o acionamento involuntário do airbag do motorista, com consequentes danos físicos e materiais ao condutor, aos passageiros e a terceiros". Ou seja, a bolsa inflável pode abrir repentinamente, fora da situação apropriada!

Nem bem foi lançado%2C o subcompacto da Renault foi 'convocado' para ter problemas nos freios devidamente solucionadosDivulgação

O agendamento do serviço começa na próxima segunda-feira, dia 11, nas concessionárias da marca. A Fiat disponibiliza, para mais informações, o telefone 0800 707 1000 e o site www.fiat.com.br. O tempo estimado do reparo é de uma hora.

Renault Kwid

O subcompacto da Renault, por sua vez, entrou em recall no fim de novembro. O objetivo é verificar o tubo de combustível e o sistema de freios. São 21.802 unidades e envolve os chassis (não sequenciais) de HJ524902 até JJ999218, fabricados entre 1º de março de 2016 e 2 de novembro de 2017.

Segundo a Renault, "pelo posicionamento na montagem do tubo de combustível, pode ocorrer a perfuração do tubo, causando vazamento de combustível". A marca afirma que "fará o reposicionamento do componente e, se necessário, substituirá o tubo de combustível".

No recém-lançado Argo%2C o airbag do motorista pode estourar repentinamenteDivulgação

Já o sistema de freios, "pode ter trincas e em casos extremos ocasionar ineficiência de frenagem ou travamento das rodas e perda de dirigibilidade, com risco de causar acidente". Também será efetuada verificação e, se preciso, a substituição de todos os componentes.

A montadora prevê que o reparo pode durar até um dia, mediante agendamento. À disposição dos proprietários, o telefone 0800-0555615 e o site www.renault.com.br/servicos/recall.

Brasileiro ignora

A associação de consumidores Proteste fez levantamento sobre recall automotivo no Brasil e o resultado foi alarmante. É grande a quantidade de proprietários que não levam seus veículos para o reparo, permanecendo com eles em circulação em condição de potencial acidente.

Em abril deste ano, a Toyota fez recall sobre defeito no sistema de airbag, com risco de vida para os ocupantes do veículo. Mais de 223 mil proprietários foram convocados e apenas 6.464 compareceram nos primeiros dois meses. Em outubro de 2015, a GM convocou proprietários do Cobalt e do Prisma por falha no cinto de segurança. Na ocasião, 121 mil veículos foram convocados, mas, no site do Procon de São Paulo, quase dois anos depois não há informação de comparecimento.

De acordo com a Proteste, todos os consumidores que possuem veículos precisam ficar atentos à necessidade de atender aos recalls. A orientação é não esperar sair a convocação na mídia. É preciso entrar em contato com a empresa pela central de atendimento telefônico ou pelo site. As montadoras costumam ter nas suas páginas canais específicos com as convocações.

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