Max Cavalera fala das origens do Sepultura e lembra loucuras da estrada

Prestes a tocar no Circo Voador com sua banda Soulfly, o ex-Sepultura anuncia novo álbum e conta toda sua história em livro, sem economizar nos detalhes

Por nara.boechat

Rio - Você já vomitou na perna de um artista e, sem se abalar, em seguida pediu a ele um autógrafo? Max Cavalera, líder do Soulfly e ex-vocalista do Sepultura, já. A vítima do cantor — que toca no próximo dia 27 no Circo Voador, em show aberto pelos americanos do Suicidal Tendencies — foi Eddie Vedder, do Pearl Jam.

Prestes a tocar no Circo Voador com sua banda Soulfly%2C o ex-Sepultura Max Cavalera anuncia novo álbum e conta toda sua história em livroCharlene Tupper / Divulgação

“Foi numa tour do Sepultura com o (grupo americano) Ministry. Os caras do Ministry estavam tomando heroína e eu estava tipo bêbado chato”, relata. “Sentei do lado do Eddie Vedder e vomitei na perna dele. Depois falei: ‘Acho sua banda muito tosca, mas dá um autógrafo para minha irmã, que é sua fã?’. E ele deu!”.

Essa e outras histórias estão na biografia de Max, que ele faz há três anos ao lado do escritor John McIver. O livro está previsto para outubro, sai no Brasil pela Agir, e tem prefácio de David Grohl, do Foo Fighters. O título da edição brasileira será ‘Max Cavalera’.

“Dei mais de mil horas de entrevista. Falamos da minha infância, da minha família. Muita gente não sabe, mas minha bisavó era índia. Isso está no livro”, afirma. Ele recorda também o começo do Sepultura em Belo Horizonte (MG) . “Lembramos da rixa com o Sarcófago, outra banda de metal de lá (liderada por Wagner Lamounier, primeiro vocalista do Sepultura, com quem Max brigou). Se você era fã de metal em BH, tinha que escolher o nosso lado ou o deles”.

O Soulfly vem a bordo do próximo disco, ‘Savages’, previsto para outubro. É o primeiro do contrato da banda com o selo alemão Nuclear Blast — de cujo elenco faz parte também o Sepultura. O ex-grupo de Max prepara o álbum ‘The Mediator Between the Head and Hands Must Be the Heart’ e um documentário, ‘Sepultura do Brasil’, repassando a carreira. Max, fora do grupo desde 1996, ainda não foi procurado para dar depoimento.

“Mas se me chamarem, vou adorar”, diz Max que, com Marc Rizzo (guitarra solo), Tony Campos (baixo) e o filhão Zyon Cavalera (bateria), relembra hits do Sepultura ao lado das canções do Soulfly e de outra banda sua, o Nailbomb.

A saúde do vocalista vai bem. No último show do Soulfly no Rio, em fevereiro de 2012, ele estava com parte do rosto imóvel por causa de Paralisia de Bell. E cantou assim mesmo.

Max Cavalera lança álbum ‘clássico’ do Soulfly em outubroCharlene Tupper / Divulgação

“Não atrapalhava, só fiquei com a cara toda torta. O médico disse que minha disposição em continuar a turnê ajudou na cura”, recorda ele, que mantém também o Cavalera Conspiracy, banda na qual toca com o irmão Iggor Cavalera, também ex-Sepultura. Mesmo morando há anos nos Estados Unidos, Max acompanha o Brasil e gravou até um vídeo de apoio às manifestações. “A Gloria (sua mulher e empresária) disse que os fãs pediram pelo Facebook que eu falasse”.

Voltando às aventuras dele com o Ministry, elas ainda duraram. “Naquela noite, dormi abraçado com a garrafa de (uísque) Jack Daniels. Só que um roadie foi tentar tirá-la de mim e levou uma garrafada. O cara levou dez pontos, mas depois me desculpou”, diz. Um período que já passou. “Não tomo mais nada, nem bebo mais. É bom estar careta. Já era para estar morto e tive uma segunda chance”.

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